{"id":2753,"date":"2020-05-26T10:55:58","date_gmt":"2020-05-26T09:55:58","guid":{"rendered":"https:\/\/old.outra.pt\/?p=2753"},"modified":"2020-05-26T10:55:58","modified_gmt":"2020-05-26T09:55:58","slug":"viegas-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/old.outra.pt\/pt_pt\/2020\/05\/viegas-entrevista\/","title":{"rendered":"Viegas &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Parte do impressionante colectivo mina, participante nas festas Rabbit Hole e j\u00e1 de h\u00e1 tempo parte da R\u00e1dio Qu\u00e2ntica, Viegas \u00e9 um artista e DJ barreirense que fez parte da noite de encerramento do OUT.FEST 2019 no espa\u00e7o A4. Antes do festival tivemos a oportunidade de conversar com ele sobre o seu percurso artistico, e a sua actividade nos colectivos que integra numa entrevista que agora divulgamos.<\/p>\n<p><strong>Como e quando descobriste o techno e a m\u00fasica eletr\u00f3nica de club?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2014 passei uns meses fora de Portugal, em Barcelona, e a forma que encontrei de criar rela\u00e7\u00f5es (com a cidade e conhecer pessoas) foi a sair \u00e0 noite. O River Dealer do Burial tinha sido lan\u00e7ado h\u00e1 pouco tempo e esse EP foi tamb\u00e9m uma porta de entrada para a electr\u00f3nica, principalmente para a cena musical do UK, e foi uma porta de entrada para outras coisas.<\/p>\n<p><strong>Que clubes e noites mais frequentavas, depois desse per\u00edodo formativo? Se calhar mais aqui no Barreiro e em Lisboa?<\/strong><\/p>\n<p>No Barreiro as minhas noites eram mais na rua\u2026mas em Lisboa o Lux, e algumas festas da Rabbit Hole e noites Pr\u00edncipe.<\/p>\n<p><strong>Antes de irmos ao teu coletivo, queria perguntar-te rapidamente sobre as Rabbit Holes \u2013 porque eram festas que apesar de serem associadas \u00e0 m\u00fasica de dan\u00e7a eram muito variadas, cheguei at\u00e9 a ver um amigo que fazia m\u00fasica drone a atuar numa. Achas que essa mistura de estilos de m\u00fasica diferente que influenciou a tua forma de ser DJ?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, de certa forma. Na Rabbit Hole havia lugar para todo o tipo de express\u00f5es art\u00edsticas, tudo cabia numa noite. Esse ecletismo que havia na programa\u00e7\u00e3o talvez me tenha influenciado, sim.\u00a0 Ter crescido no sub\u00farbio tamb\u00e9m teve um grande impacto na minha percep\u00e7\u00e3o de m\u00fasica eletr\u00f3nica e nos meus interesses. Comecei a ouvir Kuduro e Kizomba muito antes de Techno ou House ou qualquer outro estilo\u2026ent\u00e3o ultimamente tem sido mais um trabalho de perceber como misturas as v\u00e1rias refer\u00eancias que tenho em algo que se adequa ao momento em que estou a tocar.<\/p>\n<p><strong>Falando agora sobre a mina, como \u00e9 que ela surgiu e como \u00e9 que te juntaste a ela?<\/strong><\/p>\n<p>A mina surgiu de um juntar de for\u00e7as entre a Rabbit Hole e a R\u00e1dio Qu\u00e2ntica (outro projeto a que acabei por me juntar pouco tempo depois de ter come\u00e7ado a colaborar com a Rabbit Hole). Na altura faltava em Lisboa uma noite de m\u00fasica eletr\u00f3nica onde houvesse espa\u00e7o para experimentares com a tua identidade e sexualidade\u2026onde as regras fossem\u2026subentendidas, mais baseadas no respeito entre as pessoas e n\u00e3o aquelas regras que est\u00e3o associadas a espa\u00e7os mais institucionalizados. o Pedro Marum, que foi uma das pessoas que fundou a Rabbit Hole, e que tamb\u00e9m se juntou \u00e0 R\u00e1dio Qu\u00e2ntica mais ou menos na mesma altura que eu, teve a ideia de criar estas noites com a Violet e com o Photonz, que s\u00e3o os fundadores da R\u00e1dio Qu\u00e2ntica, e como eu estava a colaborar com os dois projetos fui convidado a ajudar.<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0 R\u00e1dio Qu\u00e2ntica, tu ainda tens o programa de r\u00e1dio \u201cMerc\u00fario\u201d? <\/strong><\/p>\n<p>Bem entretanto mudou para rave3000, e ultimamente n\u00e3o tenho feito com tanta frequ\u00eancia, mas sim.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que diferem as playlists que fazes para a r\u00e1dio do que passas na pista de dan\u00e7a? Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as e as semelhan\u00e7as, o que tentas trazer para um e para o outro?<\/strong><\/p>\n<p>Se calhar come\u00e7ando pelas semelhan\u00e7as: acaba por vir tudo do mesmo sitio, os crit\u00e9rios s\u00e3o semelhantes, eu tento ser inclusivo e ter sempre o meu foco mais afastado do centro. Com o programa n\u00e3o tenho tantas preocupa\u00e7\u00f5es, se a m\u00fasica \u00e9 dan\u00e7\u00e1vel ou como vai ser recebida, porque acho que \u00e9 um espa\u00e7o muito mais experimental e com muito menos expectativas da parte de quem ouve. E tamb\u00e9m tento sempre dividir o slot com outra pessoa, por isso varia tamb\u00e9m de quem convido. Na r\u00e1dio para mim o mais importante \u00e9 dar oportunidade a outras pessoas de terem acesso a esta plataforma, tenho a certeza que se n\u00e3o existisse R\u00e1dio Qu\u00e2ntica teria sido tudo muito mais complicado para mim.<\/p>\n<p><strong>Tu j\u00e1 tocaste l\u00e1 fora v\u00e1rias vezes, em Berlim por exemplo\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Sim\u2026neste \u00faltimo ano tive a oportunidade de tocar em v\u00e1rias capitais Europeias, Londres, Paris, Atenas\u2026<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o capitais bastante diferentes, e conhecidas pela sua vida noturna\u2026como \u00e9 que achas que Lisboa se compara com esses s\u00edtios? A cidade tem alguma coisa de \u00fanico nesse sentido?<\/strong><\/p>\n<p>Em Lisboa estou mais confort\u00e1vel, ent\u00e3o sinto-me mais \u00e0 vontade para experimentar certas coisas. Normalmente tamb\u00e9m toco em contextos em que o p\u00fablico est\u00e1 habituado a ouvir de tudo, e essa diversidade \u00e9 celebrada. Talvez por n\u00e3o termos grande variedade de festas especificas a certos g\u00e9neros \u00e9 habitual haver esta converg\u00eancia. Em Londres, por exemplo, senti o mesmo, mas no UK a hist\u00f3ria da m\u00fasica electr\u00f3nica \u00e9 muito rica e diversa.\u00a0 N\u00e3o sei se ser\u00e1 uma coisa \u00fanica, mas sendo uma cidade pequena \u00e9 f\u00e1cil conheceres pessoas de cenas diferentes.<\/p>\n<p><strong>Tu estudaste Cinema Documental, n\u00e3o foi?<\/strong><\/p>\n<p>Eu comecei por estudar Publicidade e Marketing, na Escola Superior de Comunica\u00e7\u00e3o Social, mas apercebi-me muito rapidamente que n\u00e3o era isso que queria fazer e depois tirei um curso de Cinema Documental de um ano e estudei Fotografia no Ar.Co e nas Belas Artes.<\/p>\n<p><strong>Sei que tiras fotografias nas noites da mina e do Rabbit Hole. Achas que alguma dessa forma\u00e7\u00e3o se infiltrou no teu trabalho? N\u00e3o s\u00f3 na fotografia, mas tamb\u00e9m na forma como \u00e9s DJ?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que foi mais ao contr\u00e1rio, foi o clubbing que acabou por se infiltrar na minha fotografia. Foi na noite que o meu interesse por fotografar despertou, porque tive vontade de registar o que estava a acontecer. Agora n\u00e3o sei, no futuro eu adorava tamb\u00e9m apostar mais numa componente visual nos meus shows, por isso talvez a coisa vire ao contr\u00e1rio, e seja a fotografia a influenciar a minha forma de ser DJ.<\/p>\n<p><strong>Voltando aqui ao Barreiro \u2013 Tu nasceste e cresceste l\u00e1, e ouvias o festival, o OUT.FEST, do teu quarto, segundo um post teu. Podias falar-me sobre as tuas experi\u00eancias de OUT.FEST, partindo mesmo dessa escuta no teu quarto?<\/strong><\/p>\n<p>Sim,\u00a0 eu vivia muito perto dos Ferrovi\u00e1rios, e houve v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es que aconteceram l\u00e1. Ent\u00e3o lembro-me de ser mais novo e n\u00e3o conseguir classificar o tipo de m\u00fasica que estava a ouvir, e isso sempre me despertou interesse. Quando comecei a ir foi muito importante perceber que existem outras linguagens e possibilidades\u2026ver pessoas com abordagens muito criativas aos instrumentos, enquanto o p\u00fablico \u00e9 paciente e receptivo. Descobrir lendas do ambient e do drone com quem possivelmente nunca me iria cruzar, tudo isto em espa\u00e7os incr\u00edveis que o resto do ano passam despercebidos. O tipo de m\u00fasica que ou\u00e7o em casa quando n\u00e3o estou a preparar um set \u00e9 muito influenciado pelo que ou\u00e7o no OUT.FEST.<\/p>\n<p><strong>Tens algum mix especialmente preparado para o OUT.FEST? Com o que podemos contar para o encerramento do festival?<\/strong><\/p>\n<p>Eu vou tentar manter-me perto de lan\u00e7amentos mais recentes. Quero que de alguma forma represente o que tenho ouvido e tocado nos meus \u00faltimos sets,\u00a0 dando prioridade a cenas mais experimentais que noutros s\u00edtios n\u00e3o funcionariam t\u00e3o bem. Quero tamb\u00e9m ir a muitos lugares\u2026mas vamos ver o que acontece!<\/p>\n<p><em>Entrevista por: Tiago Franco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte do impressionante colectivo mina, participante nas festas Rabbit Hole e j\u00e1 de h\u00e1 tempo parte da R\u00e1dio Qu\u00e2ntica, Viegas \u00e9 um artista e DJ barreirense que fez parte da noite de encerramento do OUT.FEST 2019 no espa\u00e7o A4. 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