Categoria: OUT.FEST
Entrevista – Clothilde e HOBO
Clothilde é o alter-ego musical de Sofia Mestre, colorista, fotógrafa, desenhadora e não só, que se encontrou enquanto música na viragem para os 40. Trabalha a partir da herança de pós-minimalistas, improvisadoras e compositoras de mente aberta, como Pauline Oliveros, Maryanne Amacher, Daphne Oram, Eliane Radigue ou Delia Derbyshire, para criar a partir de bases electrónicas modulares – tecnologia feita pelo seu companheiro Zé, aka HOBO -, novas paisagens e realidades emocionais e estéticas. Em Outubro de 2018, durante a edição do OUT.FEST desse ano, onde testemunhamos uma bela actuação da artista na Escola de Jazz do Barreiro, o Alexandre Ribeiro e o Vasco Completo tiveram a oportunidade de ter uma curta conversa com os dois – Clothilde e HOBO – sobre o sistema electrónico único que usam e as suas origens, bem como o despertar de Clothilde para a criação músical.
Quando é que começaste a construir este tipo de máquinas?
HOBO: Comecei a pensar nisto aí há uns seis, sete anos. Na altura andava a fazer umas máquinas em cartão (sempre usei os materiais que tinha à mão para fazer coisas) e no meio das buscas de materiais para usar fui a casa do meu pai, que foi rádio montador na Guiné durante a guerra do ultramar, e ele tinha lá uma breadboard e mais uns chips e outras coisinhas que me disse para levar. Eu pus aquilo no saco e ficou numa gaveta durante para aí um ano, até depois tropeçar numa coisa qualquer que me lembrou que tinha aquilo por casa. Depois comecei a construir coisas, primeiro um amplificador numa caixa de Scotch-Brite, uma coisa muito básica, e fui expandindo a partir dai. Comecei a pensar, “Ok, quero que o som saia para algum lado, por isso preciso de um amplificador”. Foi o passo número um. Passo número dois: “temos de fazer uns osciladores, vamos a isso”. A partir dai foi sempre a crescer, continuei a pesquisar, ver o que já foi feito e o que conseguia fazer de diferente. Hoje com a internet consegues dar passos gigantes com as coisas – dantes era muito mais complicado, a informação estava só em livros, mas agora fazes uma buscazinha, fica mais ou menos explicito o que tens que fazer, e depois a partir do que já está feito é andar para trás, explorar a ficha técnica do chip, e partir dai para criar as tuas próprias coisas. O processo tem sido um bocado assim, autodidata e sem grandes pretensiosismos, fazer a coisa porque me dá prazer.
No caso específico destas máquinas que a “maquinista” usa, podes explicar-nos melhor como funcionam?
CLOTHILDE: São muitas…
H: Não as trouxemos todas…estão ali umas dez, mais uns teclados, e no total já devemos ter umas 20…a ideia é que cada uma das maquinas possa ser usada independentemente e produzir som, quase como um sistema modular, mas não completamente, porque no modular tens que levar a tralha toda atrás e aqui se quiser levar só uma máquina posso mete-la debaixo do braço e leva-la comigo, e fazer o output do sinal ou diretamente por jack ou então com um jack banana para poder mandar o som para outro lado qualquer. Queria que fosse sempre muito versátil, para poder tocar tanto com uma, ou com duas, ou com tudo….
C: Foi curioso porque só agora é que podemos tocar juntos – dantes não tínhamos máquinas suficientes para tocar os dois. Eu toco sozinha muito fruto disso – ele tem um projeto com um amigo em que também usa estas máquinas e se tocássemos os dois ao mesmo tempo íamos “desfazer-nos” um ao outro, porque para conseguir certos sons é necessário que elas estejam ligadas entre si, para modular, filtrar, whatever. Mas agora já conseguimos, e o próximo passo é começarmos também a ter um projecto e a tocar juntos.
Como começou esta tua atividade enquanto música?
C: Eu sempre adorei música, mas nunca pretendi fazer música, nunca desejei isto – propuseram-me, porque sabiam que eu tocava com ele [HOBO], e aconteceu. Nós temos uma casa no Meco com amigos, para descansar, e ele levava as máquinas e ficávamos ali a brincar, mas sem pretensão qualquer de chegar a vir a tocar um dia…
Sou amiga da Sonja da Labareda, por quem eu lancei o álbum, há muitíssimos anos e ela conhece-me muito bem – melhor que eu própria pelos vistos – e desafiou-me a fazer alguma coisa, e eu fiquei tipo “tás doida…eu?” Nunca foi algo que tivesse desejado antes sequer, mas acabei por ficar a pensar que não podia ficar a vida toda a pensar nisso e foi assim…
Lançaste recentemente o teu primeiro LP, o “Twitcher”… o teu percurso tem alguma coisa a ver com a música?
C: Nada.
Podes falar um pouco sobre isso?
C: Eu sou fanática por música, sempre fui, desde pequenina – quando a minha mãe punha alguma coisa que eu não gostava a dar eu desatava a chorar. Isto é verdade! Mas eu nunca trabalhei em música.
O meu avô era o baterista de uma banda fabulosa de jazz nos anos vinte, a minha mãe esforçou-se imenso para eu estudar música (ela queria estudar música quando era mais nova e ele não deixou porque ela era menina), o meu tio toca tudo…isto está lá, afinal.
Eu trabalhei muitos anos em publicidade e cinema, fui colorista, gosto de desenhar, fotografar, agora estou a montar um projeto com amigas que ainda estamos a ver o que é que vai dar…Mas isto… Fiz o “Birdwatching”, que foi para isso que a Sonja me desafiou, para uma compilação, foi ai que eu disse “epá…olha, vou dedicar-me e ver, prometo que não te vou deixar ficar mal, nem que eu me mate”, que eu sou um bocadinho exigente comigo própria, demasiado até. E depois ela veio-me com a história do álbum, e eu ai fiquei um bocado “afinal já não é só uma…” mas já tinha passado a barreira, já tinha tocado a primeira vez no Damas… Não tive meio termo, fiz o “Birdwatching”, toco a primeira vez no Damas, a segunda no Lounge, a terceira no Walk&Talk dos Açores, depois na ZDB, eu já só dizia “Poça, já só falta o Maria Matos” (risos) Não sei o que aconteceu, eu não estava a espera, mas eu sei que tenho ouvido, sei que as coisas estão aqui. Eu não conto os tempos, eu sinto, é uma vida inteira a ouvir música e com muita paixão, eu acho que é isso. Fiz o álbum (fizemos o lançamento a 25 de Maio) e estranhamente saiu bem! Eu fiquei muito contente, não sabia o que ia sair…
Como foi a receção?
C: Está a ser uma loucura, eu não tenho vida para ser artista…(risos) não tenho tempo…Só o mês passado dei três concertos, no Festival Exquisito no dia 13, no dia 15 estava em Santiago de Compostela no WOS, no dia 22 foi no Porto no Passos Manuel. Essa última foi uma noite organizada pela Fungo, em que o Zé tocou com o Marco (o Citizen:Kane), porque não dava para tocarmos os dois, mais o Nuno Patrício e o Nicolai que são DJs da Fungo, tocamos todos, e agora estou aqui. E já tenho várias coisas para responder, entretanto…até para 2020, e eu fico muito nervosa com estas coisas, não sei se estarei viva sequer (risos). Mas é um projecto super interessante mesmo, é uma peça de teatro e acho que tem tudo a ver com a minha cabeça.
Viegas – Entrevista
Parte do impressionante colectivo mina, participante nas festas Rabbit Hole e já de há tempo parte da Rádio Quântica, Viegas é um artista e DJ barreirense que fez parte da noite de encerramento do OUT.FEST 2019 no espaço A4. Antes do festival tivemos a oportunidade de conversar com ele sobre o seu percurso artistico, e a sua actividade nos colectivos que integra numa entrevista que agora divulgamos.
Como e quando descobriste o techno e a música eletrónica de club?
Em 2014 passei uns meses fora de Portugal, em Barcelona, e a forma que encontrei de criar relações (com a cidade e conhecer pessoas) foi a sair à noite. O River Dealer do Burial tinha sido lançado há pouco tempo e esse EP foi também uma porta de entrada para a electrónica, principalmente para a cena musical do UK, e foi uma porta de entrada para outras coisas.
Que clubes e noites mais frequentavas, depois desse período formativo? Se calhar mais aqui no Barreiro e em Lisboa?
No Barreiro as minhas noites eram mais na rua…mas em Lisboa o Lux, e algumas festas da Rabbit Hole e noites Príncipe.
Antes de irmos ao teu coletivo, queria perguntar-te rapidamente sobre as Rabbit Holes – porque eram festas que apesar de serem associadas à música de dança eram muito variadas, cheguei até a ver um amigo que fazia música drone a atuar numa. Achas que essa mistura de estilos de música diferente que influenciou a tua forma de ser DJ?
Sim, de certa forma. Na Rabbit Hole havia lugar para todo o tipo de expressões artísticas, tudo cabia numa noite. Esse ecletismo que havia na programação talvez me tenha influenciado, sim. Ter crescido no subúrbio também teve um grande impacto na minha percepção de música eletrónica e nos meus interesses. Comecei a ouvir Kuduro e Kizomba muito antes de Techno ou House ou qualquer outro estilo…então ultimamente tem sido mais um trabalho de perceber como misturas as várias referências que tenho em algo que se adequa ao momento em que estou a tocar.
Falando agora sobre a mina, como é que ela surgiu e como é que te juntaste a ela?
A mina surgiu de um juntar de forças entre a Rabbit Hole e a Rádio Quântica (outro projeto a que acabei por me juntar pouco tempo depois de ter começado a colaborar com a Rabbit Hole). Na altura faltava em Lisboa uma noite de música eletrónica onde houvesse espaço para experimentares com a tua identidade e sexualidade…onde as regras fossem…subentendidas, mais baseadas no respeito entre as pessoas e não aquelas regras que estão associadas a espaços mais institucionalizados. o Pedro Marum, que foi uma das pessoas que fundou a Rabbit Hole, e que também se juntou à Rádio Quântica mais ou menos na mesma altura que eu, teve a ideia de criar estas noites com a Violet e com o Photonz, que são os fundadores da Rádio Quântica, e como eu estava a colaborar com os dois projetos fui convidado a ajudar.
Quanto à Rádio Quântica, tu ainda tens o programa de rádio “Mercúrio”?
Bem entretanto mudou para rave3000, e ultimamente não tenho feito com tanta frequência, mas sim.
Como é que diferem as playlists que fazes para a rádio do que passas na pista de dança? Quais são as diferenças e as semelhanças, o que tentas trazer para um e para o outro?
Se calhar começando pelas semelhanças: acaba por vir tudo do mesmo sitio, os critérios são semelhantes, eu tento ser inclusivo e ter sempre o meu foco mais afastado do centro. Com o programa não tenho tantas preocupações, se a música é dançável ou como vai ser recebida, porque acho que é um espaço muito mais experimental e com muito menos expectativas da parte de quem ouve. E também tento sempre dividir o slot com outra pessoa, por isso varia também de quem convido. Na rádio para mim o mais importante é dar oportunidade a outras pessoas de terem acesso a esta plataforma, tenho a certeza que se não existisse Rádio Quântica teria sido tudo muito mais complicado para mim.
Tu já tocaste lá fora várias vezes, em Berlim por exemplo…
Sim…neste último ano tive a oportunidade de tocar em várias capitais Europeias, Londres, Paris, Atenas…
São capitais bastante diferentes, e conhecidas pela sua vida noturna…como é que achas que Lisboa se compara com esses sítios? A cidade tem alguma coisa de único nesse sentido?
Em Lisboa estou mais confortável, então sinto-me mais à vontade para experimentar certas coisas. Normalmente também toco em contextos em que o público está habituado a ouvir de tudo, e essa diversidade é celebrada. Talvez por não termos grande variedade de festas especificas a certos géneros é habitual haver esta convergência. Em Londres, por exemplo, senti o mesmo, mas no UK a história da música electrónica é muito rica e diversa. Não sei se será uma coisa única, mas sendo uma cidade pequena é fácil conheceres pessoas de cenas diferentes.
Tu estudaste Cinema Documental, não foi?
Eu comecei por estudar Publicidade e Marketing, na Escola Superior de Comunicação Social, mas apercebi-me muito rapidamente que não era isso que queria fazer e depois tirei um curso de Cinema Documental de um ano e estudei Fotografia no Ar.Co e nas Belas Artes.
Sei que tiras fotografias nas noites da mina e do Rabbit Hole. Achas que alguma dessa formação se infiltrou no teu trabalho? Não só na fotografia, mas também na forma como és DJ?
Acho que foi mais ao contrário, foi o clubbing que acabou por se infiltrar na minha fotografia. Foi na noite que o meu interesse por fotografar despertou, porque tive vontade de registar o que estava a acontecer. Agora não sei, no futuro eu adorava também apostar mais numa componente visual nos meus shows, por isso talvez a coisa vire ao contrário, e seja a fotografia a influenciar a minha forma de ser DJ.
Voltando aqui ao Barreiro – Tu nasceste e cresceste lá, e ouvias o festival, o OUT.FEST, do teu quarto, segundo um post teu. Podias falar-me sobre as tuas experiências de OUT.FEST, partindo mesmo dessa escuta no teu quarto?
Sim, eu vivia muito perto dos Ferroviários, e houve várias edições que aconteceram lá. Então lembro-me de ser mais novo e não conseguir classificar o tipo de música que estava a ouvir, e isso sempre me despertou interesse. Quando comecei a ir foi muito importante perceber que existem outras linguagens e possibilidades…ver pessoas com abordagens muito criativas aos instrumentos, enquanto o público é paciente e receptivo. Descobrir lendas do ambient e do drone com quem possivelmente nunca me iria cruzar, tudo isto em espaços incríveis que o resto do ano passam despercebidos. O tipo de música que ouço em casa quando não estou a preparar um set é muito influenciado pelo que ouço no OUT.FEST.
Tens algum mix especialmente preparado para o OUT.FEST? Com o que podemos contar para o encerramento do festival?
Eu vou tentar manter-me perto de lançamentos mais recentes. Quero que de alguma forma represente o que tenho ouvido e tocado nos meus últimos sets, dando prioridade a cenas mais experimentais que noutros sítios não funcionariam tão bem. Quero também ir a muitos lugares…mas vamos ver o que acontece!
Entrevista por: Tiago Franco
Angélica Salvi – Entrevista
Angélica Salvi é uma harpista espanhola radicada no Porto há alguns anos, que tem erigido um trabalho exploratório no seu instrumento com uma variedade realmente heterogénea de colaboradores musicais e transdisciplinares, ainda que essencialmente focada em trabalho de improvisação. Para além de leccionar no Conservatório de Música local, já realizou trabalho como solista com a Orquestra Sinfónica da Casa da Música ou o celebrado Remix Ensemble.
Das suas colaborações com músicos icónicos como Han Bennink ou Evan Parker, do que lhe conhecemos em palco e de discos, o seu vocabulário vai sempre se adaptando – mantendo a identidade – de acordo com contexto e ideias, a nível de timbragens e efeitos. A ver o seu discurso solista, que já foi apresentado por diversas vezes pela Europa e Estados Unidos.
Tivemos a oportunidade de conversar com ela antes da sua actuação no OUT.FEST 2019, e convidamo-vos a ler o resultado dessa conversa abaixo.
Quando e porque é que te mudaste para Portugal? O que te fez ir para o Porto, especificamente?
Eu estava a morar na Holanda, onde estudava, e recebi um e-mail de uma professora a dizer que precisavam de alguém para dar aulas de harpa no Conservatório de Música do Porto e perguntou se eu tinha disponibilidade. Pensei, por que não? Assim, em Setembro de 2011 mudei-me para o Porto. Entretanto ia e vinha da Holanda uma vez por mês para acabar o mestrado que tinha começado.
Há quanto tempo começaste a tocar harpa?
Desde os meus 11 anos.
E o que é que te levou a apostar neste instrumento em particular?
Foi uma coincidência. Naquela altura, eu tinha começado a estudar piano. Eu fiz as provas para estudar no Conservatório e quando fui aceite escolhi piano como primeira opção e harpa como segunda (por ser o mais parecido). Não havia vagas para piano e fiquei em harpa. Gostei, apesar de na altura não conhecer bem o instrumento.
É o teu instrumento principal, mas houve alguma vez em que decidiste mudar de instrumento, ou houve algum outro que te tivesse cativado?
Eu tinha um piano em casa (a minha mãe estudou e tocava piano) e houve uma altura em que tocava piano e harpa, e para mim os dois instrumentos têm muito em comum. Embora goste muito de outros instrumentos para alem destes dois, nunca decidi explorá-los a sério.
Quando te começaste a interessar pela improvisação? Normalmente não é algo muito ensinado em escolas, especialmente para a harpa… houve algum momento, alguma ideia, artista ou concerto que te tenha despertado o interesse nesta abordagem à música?
Bem, eu sempre estive muito interessada na parte criativa artística em geral. Andei 3 anos nas Belas Artes, gosto muito de desenhar e sempre gostei de inventar coisas novas. Na minha escola tive um método de ensino muito conservador (ainda bem que depois mudaram um pouco as coisas), portanto tive de procurar e explorar por mim. Procurava algum tipo de liberdade e a única alternativa que eu encontrei naquela altura (que fosse mais alem da música escrita) foi o Jazz. Tive algumas aulas de jazz, conheci uma professora de harpa que dava aulas de jazz na Universidade do Arizona e fui estudar com ela durante ano e meio. Depois continuei os meus estudos na Holanda no Conservatório de Música e na Dutch Impro Academy, onde conheci aos músicos da ICP Orchestra e da Brokken-Fabriek (Amsterdão), desta forma descobri o mundo do free jazz. Por tanto a improvisação faz parte do meu percurso já alguns anos.
Falei com o Peter Evans há alguns dias e ele disse-me que tem sempre dificuldade em ensinar às pessoas a forma “correta” de tocar música, e que o método de ensino dele não é tanto mostrar como se “deve” fazer algo, mas sim servir de guia para novas possibilidades musicais. Também tens algumas dessas dúvidas, sobre a melhor forma de ensinar música e harpa? Como é que guias os teus alunos nas suas aprendizagens?
Eu tenho sempre muitas dúvidas… nós, os professores, estamos sempre a aprender coisas novas com os alunos. Falo sempre com muitos colegas e também com os meus alunos para experimentarmos diferentes métodos e fórmulas. Alguns dos meus alunos são muito jovens, por isso tenho de tentar encontrar um equilíbrio entre o que é a parte criativa e a parte teórica. Por um lado, eles têm de aprender a parte teórica (apesar de que as vezes isso seja um pouco repetitivo e monótono) para conseguir atingir uma certa técnica e posição de modo a dominar minimamente o instrumento. Às vezes é um pouco complicado porque requer muita paciência, consistência e rotina. É uma espécie de arte marcial.
A procura desse equilíbrio, é que não é nada fácil. Também depende muito das pessoas, da personalidade de cada um, por isso é importante adaptar as aulas a cada aluno e perceber o que cada um gosta ou com o que se sente mais à vontade.
E depois pronto, a partir de aqui sim, concordo com Peter Evans: o professor deve servir como guia para novas possibilidades!
Tens alguns projectos para o futuro próximo que gostarias de divulgar?
Tenho vários projectos a acontecer, estão todos no meu website: www.angelicasalvi.net.
Tu já colaboraste com vários músicos Portugueses, como por exemplo, o Rafael Toral – sentes que haja alguma abordagem à música, particularmente improvisada, que seja única aqui em Portugal? Claro que toda a gente tem a sua personalidade, mas achas que há algo de especial na abordagem desta comunidade em Portugal?
Acho que cá em Portugal os artistas tem uma coisa muito fixe. Julgando pelo que vi, parece-me que os músicos que conheci tem todos projectos e colaborações muito diferentes, não fazem uma coisa só ou gostam de um estilo especifico, são muito abertos e dominam áreas muito diferentes que se complementam. Esta forma abrangente e livre de abordar a arte, permite criar projectos colaborativos muito interessantes.
Tinha a sensação, sobretudo quando morava na Holanda, que nos últimos tempos há uma tendência para a especialização: na educação, nas artes… parece que um artista tem de ter um estilo muito específico predefinido, até com certas regras para conseguir encaixar em algum lado ou ter uma etiqueta (muitas editoras fazem pressão constante aos artistas com este tipo de coisas). Penso que isto é um caminho errado porque o resultado acaba por ficar formatado, globalizado e aborrecido… por isso sinto-me muito feliz neste país, penso que os artistas conservam e protegem muito a sua essência e acreditam mesmo em aquilo que fazem. Esta é a experiência que tive com o circulo de músicos que me adotaram.
Entrevista por: Tiago Franco
Entrevista a Will Brooks (MC Dälek)
No último OUT.FEST tivemos o prazer e a honra de contar com os nova iorquinos Dälek, grupo de hip hop do mais aventureiro, no seu regresso a Portugal pela primeira vez em mais de uma década. Antes do concerto, falamos com Will Brooks (MC Dälek, o próprio) sobre a abordagem em estúdio do grupo, colaborações passadas e futuras, e os artistas que o inspiram.
Entrevista por Tiago Franco. Fotos por Pedro Roque.

Como foi a tour com os Anguish?
Tem sido incrível, é fenomenal como as coisas se alinharam e como conseguimos dar concertos, porque é difícil juntar toda a gente, todos temos projectos diferentes a acontecer, e por isso não é fácil marcar tours, então quando temos a oportunidade aproveitamos. O primeiro concerto que demos foi no Moers Festival e no dia anterior demos um concerto de Dälek em Austin no Texas, por isso voamos de Austin para Nova York, de lá para a Alemanha para dar esse concerto…Mas teve mesmo que ser, se não passávamos mais um mês sem tocar. Mas foi muito bom, desde o primeiro concerto que…sabíamos que tínhamos algo especial quando gravamos, mas logo no primeiro concerto deu para perceber que isto era mesmo especial em palco. Acho que fizemos oito ou nove actuações até agora e tem ficado melhor e melhor. É um bocado louco, porque logo no primeiro concerto nem ensaiamos, só fizemos aquilo acontecer de alguma forma, depois houve dois concertos em que o Mats [Gustafsson] não conseguiu participar, então arranjamos um substituto recomendado por ele, o Goran [Kajfes], que tocou trompete, ele chegou a conhecer as músicas e connosco a confiar que nos íamos safar de alguma maneira, e foi fenomenal, as coisas funcionaram muito bem. Tem sido um prazer, tocar com músicos deste calibre torna tudo mais fácil – tenho toda a confiança em toda a gente naquele palco e é fixe porque podemos levar as coisas para direções mais fora e mesmo assim sei que vai correr tudo bem. Por isso é fixe, é muito diferente das coisas de Dälek, porque as canções evoluem e mudam. Há momentos centrais nas músicas mas é muito improv, muito aberto, e é um prazer fazer parte disso.
Sei que fizeste o disco com o Hans Joachim Irmler…Como é que o conheceste a ele e à malta da Fire! Orchestra?
O Mats é outro que…já nos conhecemos há mais que uma década, acho que a primeira vez que tocamos juntos foi no Konfrontationen Festival em Nickelsdorf, um festival de free jazz na Austria, e demo-nos logo bem, ele era daqueles tipos com os quais sempre dissemos que queríamos trabalhar, mas os nossos calendários nunca se alinhavam e nunca deu para o fazer. Mas no verão em que gravamos o disco de Anguish conseguimos fazê-lo acontecer: Convidamo-lo para tocar saxofone com Dälek nuns quantos festivais (basicamente tínhamos duas semanas de concertos e uma semana livre no meio), e pensamos, em vez de ir para casa, era melhor irmos para um estúdio e ver o que saia daí. Por isso propusemos-lhe essa ideia e ele adorou, e eu fui imediatamente falar com o Joachim, porque também já queríamos fazer algo com ele outra vez e ele tem um bom estúdio na Alemanha, e ele estava completamente nessa. Depois o Mats sugeriu que trouxéssemos o baterista dele na Fire! Orchestra e foi perfeito, funcionou mesmo mesmo bem, era eu e o Mike de Dälek, os dois gajos da Fire! Orchestra e o Joachim…parece fora, mas correu tudo às mil maravilhas.
Já colaboraste com tantos artistas diferentes ao longo dos anos – o que é que te apela em trabalhar com artistas que as pessoas normalmente não associam ao hip hop?
Nunca quis saber de género, na realidade. Só quero saber da música, se é boa é boa, e ter músicos daquele calibre a sequer considerar trabalhar comigo é uma honra, por isso quando tenho a oportunidade de trabalhar com alguém que respeito agarro-a, porque a vida é limitada, estou a tentar fazer com que conte, ter tantos projectos e fazer tanta música boa quanto consiga, e há uma longa lista de pessoal com o qual ainda quero trabalhar, por isso…
Tens algumas colaborações futuras em mente?
Sim, há algumas coisas no forno das quais não posso falar ainda, e há uma lista de colaborações de sonho, claro. Adorava trabalhar com o Kevin Shields dos My Bloody Valentine, gostava de trabalhar com o Stephen O’Malley, a Björk também esteve sempre na minha lista…no que toca hip hop, gajos como o Ka…há tanta gente, tantos bons artistas por ai…mais uma vez, os géneros não interessam, o que interessa é: “Que tipo de arte é que criaste com outro músico?” Quando se vem de mundos completamente diferentes, encontrar um espaço em comum é o que torna a coisa especial.
Queria perguntar-te sobre os My Bloody Valentine, porque falas deles com frequência – podes contar-nos sobre a primeira vez que os ouviste e o que isso despertou em ti?
Na realidade só comecei a ouvi-los muito tarde, por volta da altura em que começamos os Dälek. Fui eu o o Oktopus a começar o grupo, acho que foi por volta de 95/96 que começamos a trabalhar juntos, e na altura ele vinha mais do punk, eu vinha mais do hip hop, obviamente, mas ao mesmo tempo ele tinha um gosto bastante variado, gostava de muito shoegaze, cenas alternativas, gostávamos ambos de muito jazz, eu gostava de salsa, ele gostava de metal…por isso ambos tínhamos um espaço musical em comum meio estranho, mas ao mesmo tempo havia muita coisa que nem eu nem ele conhecíamos muito bem. Ele gostava de hip hop old school mas tinha deixado de ouvir hip hop, gostava dos Public Enemy e coisas assim…
Na altura ele era só o engenheiro de som do meu projecto, ainda não tínhamos começado a banda, mas depois das sessões juntávamo-nos e ficávamos só a mostrar música um ao outro. Eu dizia-lhe “Tens que ouvir isto!” e mostrava-lhe o hip hop que estava a sair na altura, em 94/95/96, os discos solo dos Wu Tang, o Nas, as cenas Boom Bap todas, suponho que agora lhe chamam a era dourada do hip hop, mas na altura era só o que estava a acontecer, e ele estava a mostrar-me coisas como os All Natural Lemon And Lime Flavours, que até tinham uma ligação connosco. Andamos na escola com um desses gajos, o Josh Booth, que acabou por chegar a trabalhar também connosco, e foram eles a mostrar os MBV ao Oktopus. Ainda hoje me lembro desse momento, estavamos completamente bêbedos, ele pôs o Loveless a dar e foi como se se acendesse uma luz, fiquei tipo “Isso, mas que é isso? Eu quero fazer isto para o hip hop, como é que fazemos isto?” fez-me logo totalmente sentido, tudo naquele disco soava bem, a forma como as vozes eram um instrumento, como as guitarras faziam aquela parede de som, como o ruido era melódico, mesmo tudo acerca daquele disco era lindo para mim, aquele disco mudou tudo, foi um daqueles momentos em que fiquei tipo…Honestamente, para mim Dälek é só My Bloody Valentine, Public Enemy, KRS-One, talvez um pouco de Faust e de Velvet Underground, sabes, talvez um bocadinho de Rakim…essa é a formula que nos inspirou…
Tocamos num festival que curado pelo Thurston Moore, e a Deb Googe, a baixista dos MBV, tocava na banda dele, por isso tivemos a sorte de estar com ela e eu parecia um puto…e ela foi tão fofa e fixe connosco, disse-nos que curtia o que nós estávamos a fazer e eu disse-lhe que isso para mim era tudo, e depois quando os MBV tocaram em Nova Iorque ela convidou-me para o concerto e pude conhece-los, e fiquei outra vez – e normalmente nem sou esse tipo de pessoa – mas estava 100% em modo fã, pedi-lhes para assinarem os meus discos e tudo isso. Essa é a coisa linda acerca da música, há certas bandas que ressoam contigo, inspiram-te, e eles são definitivamente uma das bandas que acabou por redefinir o que eu achava que queria fazer. O KRS-One foi provavelmente quem começou isso, quando o ouvi percebi que era o que queria fazer da minha vida, os Public Enemy foram outro desses grupos, e sinto que os My Bloody Valentine foram o outro que me fez ficar tipo “Siiim, é isto!” quando os ouvi, sabes? Simplesmente incríveis.

No último disco, a forma como os samples são usados e a forma como a música acaba a soar lembra-me muito das técnicas usadas pelo Kevin Shields no estúdio, a forma como ele trabalha intensivamente para fazer tudo colar de uma forma completamente etérea, mas ao mesmo tempo brutal e in your face. Acho que fazem um ótimo trabalho em incorporar isso sem ser um rip-off…
Obrigado. Sabes, é engraçado que sempre nos acusaram de samplar os My Bloody Valentine – Eu nunca samplei os MBV e nunca o irei fazer, há certos discos dos quais me parece errado tirar seja o que for tirando inspiração…não há necessidade de o fazer sequer, descobrimos uma forma de chegar onde queremos sem samplar nada, só criando as nossas próprias coisas.
Já mencionaste que a música contemporânea é muito interessante para ti. E como vês o hip hop contemporâneo?
Bem, acho que há muito hip hop contemporâneo que é inacreditável, apesar da minha definição de hip hop contemporâneo poder ser diferente da tua. As coisas que passam na radio para mim não são hip hop sabes, é pop. Eu até prefiro quando lhe chamam coisas como trap, mais vale que seja a sua própria cena, porque tem muito pouco a ver com a cultura do hip hop. É a sua própria cena e isso não tem mal nenhum. Acho que também há uma certa parte disso que é geracional, sinto que muitas das coisas mais recentes são para pessoal mais novo, sabes. Não é para mim – eu tenho 44 anos, as coisas não são escritas para mim nem deviam ser. E não há nada de errado com isso, não estou a falar mal dessa música, acho que a música pode existir por diferentes razões e isso é perfeitamente ok, mas chamar algo de hip hop….
Acho que há hip hop novo que é incrível, se ouvires o Roc Marciano, já falei do Ka, se ouvires Crimeapple, Brown13, há tanta coisa contemporânea a sair, ainda existe aquele hip hop grimy que eu adoro, há letristas fantásticos agora, há tanta coisa boa a acontecer…Não sei, eu tenho 44 mas odeio quando pessoas da minha idade começam a dizer que “Não há música boa hoje em dia”. Nah, tu é que paraste de ouvir, porque há sempre música boa, é só questão de ir procurá-la. Claro que também há imenso lixo, mas sempre foi assim….
Então fora do hip hop, que outra música contemporânea é que te tem excitado ultimamente?
Estou a tentar pensar, porque às vezes fico num daqueles moods em que ouço montes de cenas antigas…Há meses em que só ouço The Cure ou Joy Division (risos)…Tenho estado numa onda dessas ultimamente…
Adorei os últimos dois discos da Solange, achei que eram discos mesmo incríveis, falando de…suponho que lhe chamarias R&B contemporâneo, mas eu gosto só do que ela tem feito em geral, uma construção musical e letras mesmo boas, é experimental de certa forma, para música pop é bastante fora, o que é fixe…Importas-te que olhe para o meu Spotify para ver o que tenho andado a ouvir? Porque se não tenho uma branca…
Ah, o Sufjan Stevens, tenho ouvido demasiado o Carrie & Lowell, adoro esse disco. O novo dos Tool, já me esquecia disso…a cena louca dos dias de hoje é que há tantos discos a sair, quase um a seguir ao outro a seguir ao outro que é tipo…sobrecarga sensorial (risos). Há muita música boa neste mundo.
Há esta banda chamada Belong, não sei se os conheces, são meio shoegazy…Black Marble, ando obcecado com esse gajo, as cenas deles são incríveis. Falando de hip hop, o meu mano House Shoes e a label dele, Street Corner Music, ele tem lançado uns três ou quatro álbuns por ano, e tudo o que ele tem lançado é incrivelmente bom. É principalmente hip hop instrumental, mas há coisas incríveis lá.
Hmm…Iron & Wine…Midnight Owl…
Não pareces restringir-te de todo na música que ouves, quer seja mais ou menos pesada…
Nah meu, eu só gosto de música, se for boa é boa…Ah, os Space Echo são outros. Os Suuns…também são fantásticos…Ya, há montes de coisas.
Voltando aos clássicos de que falaste, qual foi o primeiro disco ou música de hip hop que te fez pensar fora da caixa, e ver as possibilidades do hip hop e da música em geral?
Provavelmente os Ultramagnetic MCs, porque foram os primeiros a ter uma produção mais fora. Acho que o Premier…é enganador, porque ouves a produção dele e ele faz-te achar que é simples, mas depois reparas que ele escolheu as peças mais simples que encaixam perfeitamente juntas, e isso é muito difícil de fazer…sinto que se tentares fazer um beat do Premier vais falhar, ele tem um ouvido para o que funciona, e apesar de ser muito minimal é surpreendentemente complexo a nível de estrutura, e acho que há algo de lindo nisso. É como se ele fosse completamente o nosso oposto, nós fazemos coisas em camadas densas, mas tenho tanto respeito pelo que ele faz no lado mais minimal do hip hop…é estranho, ele é o nosso oposto, mas mesmo assim é uma influencia, eu estudo o que ele faz porque para mim é lindo, é fantástico.
E claro, os Bomb Squad, a produção deles…a noção de layering no hip hop vem da Bomb Squad, se ouvires o “It Takes a Nation of Millions” ou o “Fear of a Black Planet”…
Sim, os Public Enemy estavam muito a frente…
Os Shocklees, a Bomb Squad em geral estava noutro planeta, mesmo, eram incríveis.

Falando sobre o vosso último disco [Endangered Philosophies], que filosofias é que vês em perigo hoje em dia?
Sabes, honestamente…sinto que qualquer tipo de pensamento está em perigo hoje em dia (risos). Nem sequer estava a tentar ir muito fundo no que toca a coisas especificas…sinto que o intelecto em geral está em perigo atualmente, todo o clima actual da sociedade faz parecer que se tiveres algum tipo de inteligência és uma espécie em vias de extinção…pelo menos é como me sinto agora.
O que é que achas que o vosso próximo disco vai abordar, isso é algo que tenhas considerado?
Não sei meu, é uma boa pergunta. Temos este concerto, depois um festival em Minneapolis, talvez alguns concertos no México, mas depois vamos voltar ao estúdio para montar o próximo disco a sério. Temos algumas peças em que temos trabalhado, mas quando trabalho num álbum gosto de o fazer como um todo, tentar ver como todas as peças encaixam e em que direção vamos, e o que vamos fazer a seguir. Para ser honesto contigo ainda não sei, não tenho a certeza…porque sempre tentei que os nossos discos fossem actuais mas sem estarem presos ao tempo deles, sabes, quero que seja sobre o agora mas não quero que se consiga logo dizer “Ah, este disco é desta altura”. É uma linha ténue em que quero tocar no que está a acontecer agora, não só no mundo mas também na minha vida, mas também pô-lo num contexto em que seja mais universal, intemporal, por isso não sei, não tenho bem a certeza para onde vou. Tenho algumas ideias, mas ainda tenho que as trabalhar. Sei que não vai ser um disco muito feliz…(risos)
Parece que as pessoas mais infelizes são de certa forma as menos loucas neste momento. Claro que é uma generalização estranha de ser fazer, mas parece que tanto do que é considerado lógico está completamente invertido hoje em dia…
Vivemos numa época interessante, é a melhor forma de pôr a coisa…Não sei, acho que não tenho nenhumas respostas, não sei para onde isto vai. Mas posso dizer que sou uma pessoa muito curiosa, por isso quero ver onde isto vai dar, seja bom ou mau. Não estou 100% convencido de nenhuma das direções, não acho que seja necessariamente tudo terrível…mas não sei, vamos ver o que acontece (risos).
Uma última pergunta já que falaste dos Cure, qual é o teu disco favorito deles? O que é que achas-
Fascination Street…Boys Don’t Cry…um desses dois. Quer dizer, adoro os hits todos deles, claro, mas o Fascination Street é um discaço.
Eles são outra daquelas bandas que parecem nunca se deixar prender por nenhum género…
Não, eles só seguiam em frente, é fantástico…qual era a música? Aquela dos dias, tu sabes do que estou a falar.
“In Between Days.”
Ya, essa música soa tão feliz, e eu fico tipo “Yo, isto não é nada The Cure”, e no entanto é totalmente The Cure, sabes? É incrível que a música vá totalmente contra tudo o que eles normalmente fazem e no entanto continua a soar a eles, e mesmo sendo uma música feliz acaba por soar meio melancólica…o que é fantástico, sabes?
Sim, as letras disso são qualquer coisa tipo “Ontem senti-me tão velho, senti que queria morrer”.
(risos)
Aquilo que se costuma dizer sobre os The Fall é meio redutor mas ao mesmo tempo é muito verdade e aplica-se a várias bandas: “Sempre diferentes, sempre iguais”. E pessoalmente acho que é o pico da criatividade artística quando fazes algo que faz com que as pessoas pensem “Yep, isto é deles”, como os The Cure e vocês conseguem fazer.
Fogo meu, quando me pões na mesma frase que os Cure e os Fall…obrigado! Nem sei se merecemos ser mencionados em conjunto, mas agradeço, porque isso são pesos pesados, mesmo. Mas sim, tudo o que tentamos fazer é a melhor música possível. É engraçado, ontem – esta é a primeira vez que estamos em Portugal nos últimos 10, 12 anos, qualquer coisa assim – e um puto veio ter connosco ontem dizer “Hey, já estou à espera há 12 anos para vos ver, não estava a espera que ainda tivessem essa energia toda”, e eu respondi-lhe “Pois, nem eu…” (risos).
Mas ainda tenho, ainda tenho essa fome e adoro todos os concertos, adoro actuar, fazer esta música, e o dia em que eu não goste disto é o dia em que deixo de o fazer, é a minha promessa, e o dia em que sinta que um disco não é bom o suficiente não o lanço, não o vou fazer só por fazer. Sei que já fazemos isto há muito tempo, especialmente o que eu e o Oktopus construímos juntos…antes da nossa pausa, quando voltei, disse-lhe “Hey, não vou lançar lixo, não vou fazer nada que deturpe o que fizemos no passado”. Sinto que a minha missão é pelo menos tentar fazer mais e melhor, e se conseguir continuar fazê-lo, vou fazê-lo. Como disse, desde que esteja a sentir-me bem em palco e feliz com o que estou a fazer…porque isto é o que eu conheço, não conheço outra vida, vou estar cá enquanto me quiserem por cá, sabes? Mesmo a sério.
Muito obrigado.
Nova data de Tiago Sousa na Biblioteca Municipal
O concerto do pianista TIAGO SOUSA no dia 15 deste mês já está esgotado. No entanto, temos o gosto de anunciar uma nova data para o dia seguinte (Sábado, dia 16 de Novembro). Tal como no dia anterior, esta nova sessão irá decorrer na sala multiusos da Biblioteca Municipal do Barreiro pelas 22h, e tem também uma lotação muito limitada.
Os bilhetes para esta nova sessão (5€ ou 2,5€ até aos 25 anos) já podem ser comprados no Posto de Turismo do Barreiro (Estação Fluvial), no bar Locomotiva (GD Ferroviários) ou reservados para info@outra.pt
Até já!
A OUT.RA já tem uma loja online
Inauguramos hoje a loja online da OUT.RA, sítio onde podem ser adquiridos, entre outros, os tote-bags e as t-shirts que produzimos para o OUT.FEST (com toda a gama de 2019 disponível e os últimos itens de 2018 e 2017 a preço especial), bem como alguns dos materiais do projecto UNEARTHING THE MUSIC (com as últimas cópias disponíveis da compilação ‘Experimental Sounds Behind the Iron Curtain’ em grande destaque).
Passem por lá e vão ficando atentos às novidades!
OUT.FEST 2019 – O cartaz final
Aí está o cartaz final do OUT.FEST 2019, a 16ª edição do nosso grande encontro anual de descobertas sonoras.
Entre os dias 3 e 5 de Outubro, vamos ter 26 concertos em 9 (!) espaços diferentes do Barreiro, muitos deles acolhendo pela primeira vez concertos na história do festival.
Os passes globais (a desaparecer rapidamente) e agora os bilhetes diários encontram-se disponíveis via BOL e nos balcões das lojas FNAC, Worten, CTT e restantes parceiros da BOL em todo o país.
Conheçam os novos nomes do cartaz abaixo, e descubram toda a informação (incluindo espaços e horários) sobre a edição deste ano em outfest.pt
OUT.RA nas Festas do Barreiro
OUT.FEST 2019 – NOVAS CONFIRMAÇÕES
Aí está o segundo lote de confirmações para a 16ª edição do OUT.FEST, a decorrer entre 3 e 5 de Outubro em múltiplos locais do Barreiro.
Relembramos que podem adquirir o vosso passe global ao preço de 25€ online via BOL e nos balcões das lojas FNAC, Worten, CTT e restantes parceiros da BOL em todo o país.
Confiram abaixo o que aí vem!
NOVAS CONFIRMAÇÕES
CONFIRMAÇÕES ANTERIORES
OUT.FEST 2019 – Primeiras confirmações
Aí estão as primeiras confirmações para a 16ª edição do OUT.FEST, a decorrer entre 3 e 5 de Outubro em múltiplos locais do Barreiro.
Os primeiros 100 passes globais ao preço especial de 16€ esgotaram num ápice, pelo que podem agora adquirir o vosso passe ao preço de 25€ online via BOL e nos balcões das lojas FNAC, Worten e CTT de todo o país.
Confiram abaixo alguns dos artistas que vão fazer da edição de 2019 mais um momento para a história, e descubram toda a informação sobre o festival em www.outfest.pt.
Sábado: Joana Guerra em concerto / Julho: Erwan Keravec na Igreja da Nª Srª do Rosário
Mais dois concertos anunciados hoje na bonança de outras músicas até Agosto no Barreiro: já este sábado, dia 15, a violoncelista, cantora, compositora e improvisadora Joana Guerra abrilhanta a inauguração da exposição Barreiro – Cidade dos Arquivos, a decorrer nos estúdios PADA na Baía do Tejo. O concerto é de entrada livre, com início às 18h30.
Dia 18 de Julho, ocasião imensamente especial por ser a primeira vez na história que programamos um concerto na belíssima Igreja da Nª Srª do Rosário, bem no centro da cidade. E que concerto! O bretão Erwan Keravec, mestre da gaita-de-foles escocesa, pára no Barreiro a caminho do FMM de Sines para um solo que promete ficar inscrito na memória.
Entretanto, não esquecer os concertos já anunciados de Luís Lopes, Fred Lonberg-Holm, Ingebrigt Haker-Flaten e Gabriel Ferrandini, no dia 21, e de Sir Richard Bishop, dia 4 de Julho. Reservas para qualquer um destes dois espectáculos podem ser feitas, como habitualmente, para info@outra.pt.
Até já!

























