Chris Corsano & Rodrigo Amado / Tom Carter

CHRIS CORSANO & RODRIGO AMADO

O que dizer de dois músicos que dispensam apresentações?

De Chris Corsano, que tivemos o privilégio de receber em Fevereiro, escrevemos na altura: “deste, muito já se disse, leu e escreveu, ressalvando de praticamente unânime a sua originalidade e a transversalidade do seu talento – um músico que, ainda acabado de chegar aos 40, na última década e meia se tem sentido à vontade tanto com gigantes históricos do jazz como com companheiros de rota de quadrantes totalmente diversos, como ainda ajudando a definir o novo psicadelismo free que tomou conta do mundo perto do início deste milénio”. Sobre Rodrigo Amado, autêntico porta-estandarte de uma das mais belas aventuras deste século – falamos do surgimento e crescimento de uma cena jazz nacional tão fértil quanto surpreendente – mencionamos apenas as palavras de Peter Gough, do site The Free Jazz Collective, que do saxofonista português diz “possuir a mesma química clarividente de Ornette Coleman”, a propósito do disco “This Is Our Language”, de 2015, no qual reúne junto de si Joe McPhee, Kent Kessler e, precisamente, Chris Corsano, e que foi amplamente – e dizemos amplamente no sentido de uma quase unanimidade – votado como dos melhores registos internacionais do ano que passou.

O que esperar então, deste encontro de dois músicos marcantes? Nada menos que alquimia, fogo e intuição, nas doses exactas – e um concerto para recordar.

TOM CARTER

Há já mais de uma década (mais precisamente por volta de 2003/2004), em plena fase de surgimento de uma presença mais marcada e marcante das outras músicas no panorama global, mergulhámos os ouvidos numa daquelas bandas das quais nunca se regressa inalterado: falamos dos Charalambides, à altura o duo de Tom e Christina Carter, ainda hoje merecedores do epíteto de criadores de alguma mais singular, honesta e estarrecedora música deste século ainda tão novo.

Senhor de uma das linguagens à guitarra mais marcantes e apaixonadas da música americana em terra de ninguém, Tom Carter tem vindo, ao longo de todos estes anos, a mostrar que a sua interpretação tão propriamente fantasmagórica dos blues e da folk (quase sempre através de uma guitarra a transbordar electricidade) se mantém como uma preciosidade,  como um bem raro e como sinal de que entre música e vida nem sempre é fácil traçar uma distinção. Um dos músicos que há mais anos sonhamos trazer ao Barreiro chega agora, finalmente, a um palco bem perto de nós.

Agenda OUT.RA para Setembro

Enquanto preparamos a divulgação do cartaz completo do 13º OUT.FEST (recordem os nomes já confirmados aqui), é com um sorriso rasgado que anunciamos a nossa programação regular OUT.RA Música para o mês de Setembro, repleta de nomes internacionais do mais alto gabarito e com a promessa de concertos inesquecíveis e o melhor dos aperitivos para o grande acontecimento de Outubro.

Assim, este mês vamos não uma mas duas vezes ao Velvet Be Jazz Club, primeiro, no dia 17, com o fantástico guitarrista norte-americano Chuck Johnson, um dos máximos expoentes do fingerpicking contemporâneo, acabado de lançar um fascinantes disco pela prestigiadíssima editora Three Lobed, bem secundado pelo projecto que junta o guitarrista barreirense Berlau (Fernando Ramalho) ao saxofonista A.M. Ramos.

Depois, a 24, um duplo concerto que se avizinha bombástico – com o lendário Tom Carter, guitarrista dos inigualáveis Charalambides e grande viajante psicadélico das 6 cordas eléctricas, e o regresso do prodigioso baterista Chris Corsano, desta vez em duo com Rodrigo Amado, saxofonista que é, cada vez mais, uma das figuras de proa do jazz europeu e máximo motivo de orgulho para a música nacional.

Para completar uma trilogia de sábados de eleição, a 1 de Outubro exibimos, em estreia nacional no Cine Clube do Barreiro, o filme “But the Word Dog Does not Bark”, que acompanha de perto uma das mais recentes tournées do Schlippenbach Trio, talvez uma das duas grandes formações da história do jazz europeu, e cujo concerto no OUT.FEST 2011 ainda perdurará por certo na nossa memória – e que melhor ocasião para ver este filme, que nos oferece ângulos privilegiados do labor de Alexander von Schlippenbach, Paul Lovens e Evan Parker,  do que em vésperas da actuação do trio deste último (a outra das duas grandes formações da história do jazz europeu) no OUT.FEST 2016?

Sim, prometemos um Setembro a um ritmo incrível, com alguma da melhor música do mundo – e depois, logo logo a seguir, mais um Outubro em modo OUT.FEST: imprevisível, surpreendente e fundamental.

No Barreiro, pois claro.

Até já!