Aplicamos muitas – talvez demasiadas – vezes o epíteto de “lenda” aos músicos que vamos tendo o privilégio de programar no Barreiro, mas que outro adjectivo utilizar no caso de William Parker?
O contrabaixista, improvisador, escritor e educador nova-iorquino, 65 anos de idade, é um dos mais brilhantes contrabaixistas do jazz livre de todos os tempos (assim o disse, ipsis verbis, uma autoridade como o jornal The Village Voice), e apresenta-se neste concerto rodeado por nomes como o saxofonista John Dikeman (com quem mantém, mais Hamid Drake, um trio explosivo), o baterista Onno Govaert e o trompetista Luís Vicente (ambos figuras de uma nova geração europeia de aventureiros).
O diálogo entre a inspiração afro americana, espiritual e orgânica, na senda do legado de Coltrane, Don Cherry ou Ayler, e a improvisação de veia europeia, a oportunidade de testemunhar este encontro de gerações e escolas, a visão que será ter William Parker a tocar num espaço quotidiano da cidade… será necessário usar – uma vez mais – a palavra “imperdível”?