Entrevista a Sarnadas (OUT.FEST 2021 (II))

João Sarnadas, tcp Coelho Radioactivo, foi o responsável pela abertura do último dia do segundo momento do OUT.FEST 2021, com a apresentação de uma experiência de escuta profunda de música intimamente ligada à do seu trabalho de estreia em nome próprio, dois discos duplos de seu nome “The Hum”. Na SDUB “Os Franceses” pudemos ouvir duas horas de improviso electrónico rico em harmonias e texturas nas condições perfeitas para tal: deitados, de olhos fechados, a absorver o som.

Tivemos também a oportunidade de falar com o artista antes e depois do concerto, e é o resultado compilado dessas entrevistas que vos apresentamos abaixo.

Entrevista por Tiago Franco. Fotos de Nuno Bernardo e Pedro Roque (a preto e branco).

 

 

Qual foi o teu primeiro contacto com música de longa duração minimal deste género?

Oláolá. Sempre gostei muito de músicas demoradas, não necessariamente em termos de duração da música mas mais no que toca à sua composição e também à utilização de sons mais contínuos. Nem que seja pelo simples facto de muitas vezes haver algum drama associado a músicas longas desse modo e esse drama ser algo com que eu me relaciono facilmente. Assim de repente os meus primeiros contactos com música de longa duração minimal, diria que aconteceram com artistas não muito duracionais ou minimais, as primeiras músicas que me lembro são a “Back to Schinzo” do Pascal Comelade e a “Stranger Intro” do Bill Frisell (Introdução para um disco da Marianne Faithfull) que eram músicas que ouvia bastante quando era miudo. O Pascal é um dos meus músicos preferidos de sempre, e felizmente tem discos que cheguem para se ouvir sempre coisas novas, só há coisa de uns 5 anos é que descobri os primeiros discos mais experimentais dele. A Stranger Intro é um loop de 30 segundos que eu ouvia em repeat, e que decidi fazer uma versão para este disco, se bem que quando a fiz não sabia necessariamente que ia fazer parte de um disco, só a quis experimentar tocar para ouvir o que poderia ser uma versão com mais de 30 segundos, acabou por ser a D1 M Bombarda Transmission. A nível de coisas mais intelectuais, acho que assim o primeiro músico minimal de longa duração em que colei foi o La Monte Young, depois possivelmente o concerto do Terry Riley com o Don Cherry em Köln. Mas não sei se foram essas as minhas inspirações para fazer este disco, até porque a longa duração foi mais um efeito da maneira como eu toco do que um ponto de partida, obviamente que são artistas de quem gosto portanto acabaram por influenciar as minhas melodias e o meu pensamento mas acho que a música acaba por ser um resultado de um número de influencias muito mais abrangente.

 

 

Podias falar um pouco sobre o equipamento que usaste neste álbum? Foi construído pela Inês Castanheira, que gere um workshop de sintetizadores DIY. Foi uma comissão ou foi-te entregue a ti com os 3 osciladores?

Sim, o instrumento que utilizei neste álbum, e que uso agora ao vivo, é um sintetizador simples com 3 osciladores e 3 switches de on/off feito pela Inês Castanheira. Felizmente tenho a sorte de partilhar não só a minha vida como casa com a Inês, o que faz com que tenha facilmente acesso às cenas que ela constrói, este em particular foi um dos primeiros que ela construiu, porque estava na altura a explorar o campo da construção de sintetizadores, e é assim simples precisamente por esse motivo. Começámos a usar este synth e outro num projecto que temos os dois chamado Well, e eventualmente comecei também a usa-lo em peças colectivas da Favela Discos como por exemplo a peça Desilusão Óptica. Foi um bocado com esse background que fui desenvolvendo a abordagem ao material que tenho neste disco, à base do uso deste sintetizador, da mesa de mistura, de loops e outros pedais de efeito.

 

 Gravaste o disco em 2 dias, o que resultou em 8 horas de gravações, em que demoraste 3 anos a reduzir a 2 discos de 2 horas cada. Que métodos de condensação usaste e que desafios encontraste no cutting room?

Bem, na altura quando fiz essa sessão de gravação não estava já com ideia de fazer necessariamente um disco. Como disse em cima, simplesmente sentia que tinha chegado a uma maneira de tocar diferente do que fazia por exemplo com Coelho Radioactivo, e que queria gravar alguma coisa com essa “linguagem”. Na verdade sinto que o The Hum até acaba por ter algumas coisas de Coelho, creio que as melodias acabam por ter algo a ver com esse universo, assim como a utilização de loops que era uma coisa que fazia bastante ao vivo e quando tocava sozinho em casa. Na altura tinha ficado com a mesa do Nuno Loureiro em minha casa porque a tinha usado num concerto de Desilusão Óptica e aproveitei para fazer esses dois dias de gravações, que como disseste resultaram em 8 horas. Na verdade até foi mais de 8 horas, foram cerca de 11 horas, mas eu não costumo contar essas 3 horas extra porque não estavam fixes à partida. Basicamente o grande desafio foi perceber o que é que tinha em mãos, que creio que se dividia em dois problemas,  primeiro o de reduzir as músicas de maneira a que tivessem uma duração minimamente aceitável para que fossem mais fáceis de perceber como uma música, e o segundo de perceber o que é que eram aquelas músicas, se eram três discos… se era um… se eram dois… Qual era o percurso / ordem que fazia sentido… Quais eram os modos das músicas etc… Eventualmente consegui simplificar a coisa em dois discos, um mais drone, outro mais ambient, ou um mais atonal, outro mais melódico, ou um mais nocturno outro mais diurno, mas ao longo desses três anos fui agrupando as músicas com conceitos bastante diferentes, que provavelmente não são tão claros mas que me ajudaram a perceber o que eram estas músicas.

 

 

Li algures que foste informado pela ‘harmonia única de cada cidade que viveste’, podias falar um bocado sobre isso? Vês algum cruzamento entre a tua música e a arquitectura?

Isso na verdade, apesar de ser inspirado em coisas que eu sinto em relação ao disco, ao processo e ao que eu andava a pensar na altura em que fiz o disco, é um bocado Mumbo-Jumbo de Press. Fico sempre um pouco na dúvida entre conceptualizar ou não a música que faço, normalmente não crio coisas previamente definidas por um conceito, a única coisa que me interessa na altura da gravação é a minha intuição, e se estou a gostar da música que estou a fazer. No entanto por outro lado, o pensamento do som é uma coisa que me interessa, e que acabo por fazer no meu dia a dia por vários motivos, seja simplesmente por ler coisas sobre música e som, seja por comunicar sobre o que faço a solo ou colectivamente com as pessoas com quem trabalho no dia a dia, como por exemplo com o resto da malta da Favela Discos quando desenvolvemos peças colectivas: obviamente que precisamos de verbalizar sobre o que queremos fazer, e eventualmente queiras conceptualizar ou não o que fazes acabas sempre por ter alguns pensamentos sobre o que é aquilo que estás a fazer. Nesse sentido uma coisa que me interessa, por exemplo, é a relação entre a ambiguidade e a audição profunda. Da mesma maneira que com uma audição profunda consegues descobrir melodias, ritmos, tons, etc na paisagem sonora de uma cidade, também consegues ir percebendo novas camadas sonoras no tipo de música que eu faço, por entre as melodias mais óbvias consegues perceber outras melodias, assim como as consegues distinguir no meio da massa sonora e do ruído. Nesse sentido acho que a relação com a paisagem sonora da cidade acaba por ser essa, a de descobrir alguma lógica musical no meio da massa sonora a que estamos expostos, entre carros, ventoinhas e turbinas, aquelas cenas barulhentas de ar condicionado, e todas as coisas que fazem o chão sonoro que por vezes nem nos apercebemos que está lá.

 

O fenómeno global do ’The Hum’, com relatos de pessoas quase perseguidas por frequências ultra baixas em zonas residenciais ou industriais, é considerado um som desagradável, que causa insónias e dores de cabeça. São os últimos efeitos que iria descrever ao ouvir o teu disco. O disco tenta redimir este tipo de som e pô-lo num contexto diferente?

Bem, em primeiro lugar obrigado pelo elogio. Agora, em relação ao fenómeno do The Hum, creio que ele é desagradável também porque é um som intruso, indesejado e permanente, mas não sei se num concerto de música experimental esse som não seria aceitável (risos). A minha ideia não é bem redimir o fenómeno, simplesmente acho que adoptei o nome assim como um termo mais abrangente, como disse em cima acho que o meu The Hum fala mais do som das cidades que não nós é perceptível imediatamente. O fenómeno do The Hum também não é audível por todas as pessoas, aparentemente parece haver pessoas que são mais sensíveis a esses “Hums” e outras que não são tanto. Ou seja não me interessou falar de um som violento que persegue as pessoas mas simplesmente de um som que só ouvimos quando despertamos para a sua existência ou algo assim. Interessa-me a ideia, mas não me interessa tanto a text-book definition do conceito, e como em relação à música, dos principais motivos pelo qual escolhi o nome foi por intuição, gostei da mística da ideia e pareceu-me um nome fixe. Para além disso também aproveitei este tema e título para uma banda desenhada, que foi editada pel’ O Panda Gordo em 2016 ou 2017, e na altura achei que seria fixe ligar as duas coisas por trabalharem um pouco a mesma ideia de maneiras muito diferentes.

 

 

Como achas que o disco e a música muda quando tocas ao vivo? Fizeste alguns ajustes para o concerto do OUT.FEST?

Bem eu na verdade não estou mesmo a tocar as músicas do disco, o que eu estou a fazer é utilizar os mesmos meios e técnicas para criar novas músicas. O disco foi criado em improvisação, que é o que faço ao vivo, sendo que ultimamente já tenho levado alguns loops iniciais gravados para não ser tão boring. Durante os ensaios ainda tentei replicar algumas das músicas dos discos, mas não gostei do resultado, por estar muito preocupado em tentar fazer que a música soasse igual ao disco acabava por fazer uma cópia foleira da música do disco, que nem soava 100% igual ao disco, nem era uma música tão interessante como as do disco. Portanto achei melhor simplesmente usar as técnicas que usei no disco para criar algo novo, que não é o que está no disco mas que de certa maneira faz parte daquilo que é o disco.  Para o OUT.FEST a única coisa que fiz de especial foi escolher uma série de loops à partida para usar, mas a preparação do concerto foi toda muito caótica porque foi a primeira vez que usei a cenografia e foi assim tudo mesmo em cima da hora. Acho que assim o maior ajuste que fiz para o concerto foi mesmo a existência da cenografia da “cidade” ou como lhe quiserem chamar, era algo que eu já queria fazer desde o início e que ainda não tinha feito, e fiquei bastante contente com o resultado.

 

Ainda o OUT.FEST

Já passaram quase dois meses, e estamos já nesta fase totalmente focados no OUT.FEST 2022 – 18ª edição do festival que está, portanto, prestes a entrar na maioridade -, mas lançámos esta semana um mini-documentário que recorda o que foi a segunda metade da edição de 2021 realizada em Outubro.

Com realização do Mário Jerónimo Negrão a partir de entrevistas, imagens e sons recolhidos pela equipa do festival e diversos colaboradores e amigos – a quem agradecemos -, é uma forma de celebrar e relembrar seis dias de escuta intensa, de reencontros muito aguardados e de novas e duradouras descobertas.

Podem encontrá-lo aqui.

Entretanto, o ano aproxima-se do fim mas ainda chegarão muitas e boas propostas do nosso lado – fiquem atentos às novidades no início da semana.

Entrevista a Vasco Alves (OUT.FEST 2021)

Na semana anterior ao momento de Outubro do OUT.FEST 2021, tivemos a oportunidade de conversar com Vasco Alves – gaiteiro de bancada d’Os Belenenses, membro de VA AA LR e investigador heróico da materialidade do som e da natureza dos fenómenos acústicos, que tem tido um percurso discreto mas sempre fascinante recorrendo a várias fontes e metodologias que passam pelo uso de rádios quitados, gravadores de fita, processamento de sinal, técnicas de síntese e – em tempos mais ou menos recentes – a gaita de foles.

 

 

Podes falar-me um pouco sobre o teu percurso com a gaita de fole? Como é que começaste a tocar e como é que a tua relação com o instrumento se desenvolveu ao longo do tempo?

Comecei a aprender a gaita de fole em 2014 no Centro Galego de Lisboa, e nos primeiros anos tive uma aprendizagem tradicional, mas sempre tive a vontade de usar o instrumento de uma forma talvez menos convencional, mais exploratória, mais próxima dos temas que me interessam, e isso foi algo que eu só consegui começar a fazer alguns anos após ter começado a tocar. Acho que foi há cerca de três anos e tal, talvez em 2018: comecei a preparar algumas peças que apesar de também incluírem algum material electrónico, trabalham fenômenos acústicos e a psicoacústica acima de tudo. Tento explorar sempre algum tipo de efeito nesse campo.

E o que é que te levou especificamente a este instrumento? Porque em 2014 já fazias música, certo?

Sim, já tocava há bastante tempo…eu tive duas experiências que foram algo surpreendentes, tanto que quando ocorreram eu nem pensava que fosse um dia aprender um instrumento. Uma foi um concerto do Paul Dunmall em Londres – ele está mais associado até ao jazz e ao improv como saxofonista, mas tem uma coleção pessoal de gaitas de fole de todo o mundo. Eu e um amigo convidamo-lo para um concerto que estávamos a organizar quando eu vivia lá, e ele teve uma actuação onde tocou com várias gaitas de fole ao longo da performance, e houve ali momentos incríveis, que eu não esperava, mesmo a nível material do som…quando a gaita era amplificada, se fechasses os olhos imaginavas que era um concerto de laptop, de música de computador…bem, havia elementos bastante surpreendentes, e depois quando voltei para Portugal, em 2014, acabei por ver um ou dois concertos em que o instrumento também era utilizado, já fora deste contexto, mas na altura decidi ir aprendê-lo, de uma forma um bocado espontânea. E pronto, gostei e continuei e neste momento é possivelmente o instrumento com que estou a trabalhar mais, apesar de também explorar temáticas parecidas às da gaita quando trabalho com electrónica.

Continuando nesse tópico, quando é que ganhaste o interesse em música eletroacústica? Houve algum momento específico no qual encontraste essa música e achaste que era por aí que ia seguir o teu percurso musical?

Não sei se consigo definir um momento em particular, penso que provavelmente também terá muito a ver com as coisas que fui ouvindo na adolescência, e que me levaram a ter algum interesse em explorar, e em seguir pelo lado mais exploratório da música, ou menos convencional, por assim dizer. Também nos anos da universidade, se não me engano, aprendi a fazer uns microfones de contacto e outras pequenas coisas (acho que até as primeiras gravações que fiz foi com esse material, ainda de uma forma muito naïve e muito intuitiva), e pronto, as coisas foram acontecendo, fui continuando a interessar-me também pela construção de instrumentos, pela exploração de materiais, e a coisa foi evoluindo por aí. Obviamente que as coisas em que estou interessado hoje em dia não são necessariamente as que estava interessado na altura, mas tem sido uma evolução, tem passado por várias fases, mas penso que há algo que as une.

Qual era então a música que ouvias na adolescência, que te levou para esses lados?

Bem… assim numa fase muito inicial da adolescência ouvia imenso Sonic Youth (e toda a cena musical em que se inseriam), possivelmente foi assim uma das primeiras vezes que vi instrumentos a serem utilizados de forma menos convencional. E agora voltando à pergunta de há bocado, realmente houve uma altura, quando descobri o trabalho do Christian Marclay, em que vi uma exposição dele e depois cheguei a ver alguns concertos e a ouvir algumas gravações, e penso que isso foi um momento que me marcou de alguma forma, também pela utilização do material que ele fazia, e pelo próprio som que era gerado pelas coisas que ele construía, os processos que ele explorava e que as peças dele tinham, foram tudo coisas que na altura me influenciaram bastante. Pouco depois descubro o Alvin Lucier, grande mestre. Há muitas outras coisas que também me têm vindo a influenciar, como o trabalho do Rafael Toral, o do Sei Miguel… Mas pronto, depois torna-se difícil enumerar influências especificas, tem sido muitas as coisas que me têm influenciado.

A relação que eu vejo entre todos esses músicos passa um bocado pelo que o Eddie Prévost diz e tenta ensinar, que é a ver um instrumento como algo para tocar “fora da caixa”, que é preciso ser um bocado exploratório e improvisador com os instrumentos. No teu website vi o rádio que tu tocaste, e pareceu-me familiar – estavas no workshop do Eddie Prévost [no OUT.FEST 2015]?

Sim, eu também costumava levar esse rádio para as workshops que ele organizava em Londres, que eram um encontro semanal de improvisação – todas as sextas-feiras à noite na cave de uma igreja, em que toda a gente podia aparecer e juntar-se, e durante uns dois anos eu ia lá com regularidade, e foi por isso que eu participei também no workshop no Barreiro, que vocês organizaram.

E o que é que essas workshops te ensinaram? Como é que te ajudaram a desenvolver o teu trabalho?

Acho que essas workshops na altura tiveram bastante impacto em mim, mas eu hoje em dia não me sinto assim tão próximo ou tão interessado naquilo que a improvisação livre é, que é basicamente naquilo em que o Eddie Prévost se foca. Os workshops na altura foram uma coisa incrível, não só a nível pessoal como a nível social, havia uma dinâmica que para mim era uma novidade e era bastante entusiasmante, a forma como as workshops decorriam e como as pessoas iam tocando… havia pequenas regras, mas havia muita abertura e muita fluidez e nunca ninguém dizia o que devias ou não fazer, e isso durante um tempo fascinou-me bastante. Entretanto acho que foi perdendo um pouco…não sei se me tornei menos naïve em relação a essa ideia, se me fui simplesmente interessando talvez mais por outros lados, por outras coisas…no entanto, também experienciei momentos incríveis lá, de músicos mesmo muito bons, e acho que a certa altura, na fase final do tempo em que frequentei essas workshops, ia lá mais para ver uma ou duas pessoas (o Seymour Wright por exemplo) cujo trabalho me interessava e fascinava, e os 5 ou 10 minutos que os ouvia a tocar valiam as horas que estava por lá…

 

 

Dizias-me então que os teus interesses começaram a mudar – consegues dizer qual é a parte da música que te interessa mais neste momento?

Bem, em relação à improvisação livre: eu penso que não é esse o ponto central do que me interessa mais hoje em dia. O meu trabalho, quer electrónico quer acústico sempre envolveu, materialmente, muita volatilidade e por isso a improvisação continua a ser algo muito importante para mim, mas gosto de trabalhar sobre alguns temas, sejam eles coisas que na realidade tenham vindo do trabalho com algum instrumento (no sentido mais lato), da “vida” que essa volatilidade e instabilidade possam gerar, mas também temas espaciais, da ligação do instrumento com o espaço, e tentar de alguma forma criar trabalho que se encaixe neste contexto. A improvisação é obviamente algo que está sempre presente, por que eu tenho estruturas, mas não tenho definido exactamente aquilo que vou fazer, há espaço para eu poder reagir às coisas da forma que me pareça mais acertada no momento. A própria gaita de fole, sendo um instrumento tão bruto, tão primitivo de certa forma, e se calhar as próprias limitações do instrumento, penso que são uma boa ferramenta para explorar este tipo de ideias, porque de certa forma eu acho que essa simplicidade e crueza depois permitem que também as outras coisas tenham alguma proeminência, e alguma importância, que sejam ouvidas e que sejam perceptíveis, e a gaita acaba por ser um pouco o trigger para esses eventos….

Isso leva-me a outra pergunta – eu noto na tua música, especialmente o teu trabalho mais recente, que há uma certa dualidade, entre o folclore, coisas bastante primordiais, com um ângulo mais tecnológico e mais maquinal. Não sei se é algo com que concordes…

Não é certamente algo intencional. As ferramentas que uso tendem muitas vezes a definir aquilo que eu faço. Apareceu-me a gaita de foles, e também outro tipo de coisas que tenho usado, e a perspectiva é mais do género, “Com este instrumento o que posso fazer, o que é que o instrumento me dá, como é que o consigo aplicar no que me interessa fazer sonoramente?” No concerto que vou apresentar no OUT.FEST o computador está a gerar simplesmente uma frequência, uma onda dente-de-serra (sawtooth) e tem um som muito parecido ao da gaita de fole, acaba por ser quase um segundo tocador, que depois gera o tal confronto de frequências…é um pouco difícil de definir, mas como já referi interessa-me a exploração de instabilidades no processo e nos mecanismos que vou construindo, eu tento fazer também um pouco isso na gaita de foles. Mas como disse não é uma decisão consciente, gosto de trabalhar com a crueza, interessa-me alguma secura nas coisas, nos materiais, e pronto, a partir daí parto para a construção musical, para desenvolver o trabalho que faço, mas na realidade para mim são tudo coisas que se encaixam mentalmente no mesmo sítio: estar a usar a gaita de foles ou o sintetizador ou um circuito construído ou um rádio, a finalidade para mim é a mesma, não há nenhum conceito por detrás disso.

Usas mesmo os instrumentos porque gostas do som…

Sim, e porque me interessa a própria crueza e a brutalidade de coisas como o ruído branco, do som da gaita de foles, que também é algo bastante simples, interesso-me a simplicidade no trabalho electrónico, mesmo muito… digamos que a ideia de economia, de fazer muito com pouco é algo que me interessa bastante e que eu tento ao máximo procurar nos processos e nas coisas que crio.

Queria perguntar-te sobre o trabalho que vais apresentar no OUT.FEST, o “Gaita Contra Computador”, que é um título que traz uma ideia de oposição, de combate quase…Tu mencionaste que há um tom do computador que é muito parecido com o da gaita de fole, podes falar-nos um pouco mais sobre esse trabalho?

O “Gaita Contra Computador” é o título de um CD que eu editei no ano passado, e sim, o trabalho assenta na criação de algumas peças que são relativamente curtas, algumas das quais influenciaram o nome do disco e envolvem a gaita usada sem amplificação num espaço, enquanto que o computador está a gerar uma frequência programada por mim que gera tons que se assemelham muito ao tom da gaita, e a ideia é que quando as frequências se cruzam no espaço criam-se determinados efeitos acústicos (batimentos, por exemplo)…A minha intenção é dar a ideia de que há um novo som a certa altura, a união entre os dois sons na qual a dado ponto deixas de conseguir perceber o que é o quê… Mas fundamentalmente interessa-me saber como os sons se cruzam no espaço, é como se tivesse basicamente uma outra pessoa ali a tocar comigo, mas quando exploras frequências muito, muito próximas e te moves no espaço, há pequenos efeitos que se geram, neste caso no espaço acústico, na sala do concerto.

Depois também vou possivelmente apresentar algumas peças acústicas, sem a utilização do computador, em que exploro a gaita de fole, os seus limites físicos, tento puxar assim a palheta para registos de som que não são propriamente os registos aos quais é suposto o instrumento chegar, à procura de falhas, e a explorar essas falhas e essa instabilidade. Depois há outra peça que envolve acrescentar um tubo à gaita de foles e apontar essa frequência para uns jarros que vão estar no chão, e explorar a frequência de ressonância dos jarros – quando aproximas o som da gaita dos jarros há uma nova frequência que surge, e é uma peça focada nessa interação…e é à volta destas ideias que vai ser o meu concerto – são peças que se assemelham de alguma forma ao que está no disco mas que estão em constante evolução, cada vez que as apresento ou ensaio elas vão sofrendo ajustes e vão mudando ao longo do tempo.

 

 

Até porque o próprio espaço influencia a forma como as peças soam – lembro-me por exemplo de termos tido por cá o Erwan Keravec, que estava muito satisfeito com a reverberação e amplificação natural da igreja na qual tocou…Como tem sido a tua experiência a tocar em diferentes espaços, também sentes que tem um grande impacto na forma como tocas?

Claro, tem sempre bastante, não só nas peças acústicas mas também naquelas em que uso o computador… a ressonância do espaço é algo que favorece um pouco as peças, digo eu, um espaço muito seco possivelmente não funcionaria tão bem…possivelmente teria que pensar noutras coisas, mas sim, a acústica do espaço é algo bastante importante, que eu tenho que ter em conta sempre que estou a tocar, e neste caso já fui à biblioteca [Municipal do Barreiro] ver e experimentar tocar lá e isso acaba por informar um pouco aquilo que vou apresentar…

Estavas a falar há pouco de intensidade, e como isso te interessa muito. Eu queria perguntar-te sobre o “Estrada Longa” – eu estive a ouvi-lo há alguns dias e senti que tivesse algo próximo do motorik, não tanto na vertente rítmica do krautrock, mas como uma certa propulsão e transe, não de forma intensa mas a transmitir movimento, a deslocação de bicicleta…Que foi o que inspirou o “Estrada Longa”, a tua viagem de na N2 de bicicleta no meio da pandemia, certo? Podias falar um pouco sobre a tua viagem, e como isso influenciou o disco?

Sim, foi isso. Eu fiz a viagem sozinho de bicicleta, e quando o fiz não tinha planeado criar nada a partir daí, simplesmente comecei a andar e a ver imensos nomes de terras aos quais achava piada, e decidi no primeiro dia começar a gravar o nome dos sítios por onde ia passando. Quase todos, aqueles que me ia lembrando, mas também não fazia isso constantemente: primeiro passava uns quantos, gravava no telemóvel, depois ia andando e gravava outros, e cheguei ao final da viagem e tinha quase 150 nomes de terras, de Trás-os-Montes ao Algarve.

Na altura passei algum tempo a pensar como é que iria usar aquele material. As gravações foram feitas no telemóvel e muitas vezes a pedalar, e apesar de achar que tinham algum interesse não consegui propriamente encaixá-las, e pronto, achei que só com o material cru não teria tanto interesse (apesar de também me interessar esse aspecto). O que acabei por fazer foi pegar num par de sintetizadores que tinha em casa e que costumo usar, que basicamente permitem criar uma espécie de padrões com imensa instabilidade e volatilidade envolvida na forma como os sintetizadores estão ligados, há um aspecto cíclico da coisa, mas não linear de alguma forma, e eu pensei que se calhar as duas coisas se pudessem unir, e então criei outros padrões, para cada dia de viagem, e regravei os nomes das terras por onde passei a cada dia.

E foi assim que surgiu o disco – foi como falaste, há aquele aspecto cíclico dos sintetizadores, e procurei também passar alguma monotonia, interessou-me essa ideia dos dias longos, das estradas que nunca mais acabam, mas ao mesmo tempo estão em constante mutação…mas pronto, foi uma peça que surgiu e que teve aquele resultado final, o tal disco. Não sei bem se faz sentido dar-lhe seguimento ou não, mas esse trabalho ficou concluído ali, naquela peça, que às vezes penso que podia ter sido bastante mais longa: em vez de ter 50 minutos devia ter 4 horas, mas ficou assim…

 

 

A última pergunta se calhar é um bocadinho parva, mas: como é que foste tornar-te gaiteiro dos Belenenses?

(risos) A minha ligação ao Belenenses é familiar, o meu avô e bisavô eram ali de Belém, sou sócio desde que nasci, etc…O clube desceu para a última divisão recentemente, por causa dos conflitos com a B-SAD, e no primeiro jogo da sexta divisão eu decidi levar a gaita. Já tinha falado com alguns amigos que estavam ligados à claque, e comecei a tocar o hino do clube, começou toda a gente a cantar no estádio, e ao fim do dia já estavam vídeos no YouTube a ligar aquele momento a uma antiga tradição dos anos vinte, os quinze minutos à Belenenses – supostamente o clube naquela época fez uma série de remontadas em jogos muito importantes, onde viravam os jogos nos últimos 15 minutos, incluindo um específico contra o Benfica que ficou muito célebre. E assim durante muitos anos os sócios faziam imenso barulho nos últimos quinze minutos, já ouvi dizer que com apitos e panelas, e alguém fez essa colagem à tradição, por isso agora nos jogos, nos últimos 15 minutos, toco o hino e mais algumas músicas da claque (a Fúria Azul) na gaita de fole, e tornou-se num acontecimento nos jogos. Agora sinto assim aquela responsabilidade à qual não posso falhar, e todos os domingos estou lá com a gaita de fole, já somos dois gaiteiros na verdade…e pronto, a ligação da gaita ao Belenenses é essa.

Isso é muito fixe. Tu próprio não sabias dessa tradição, não é?

Sabia, o meu avô contou-me em criança, mas a tradição não era com a gaita, sabes, antigamente diz que se fazia muito barulho na bancada ou que se tocava um apito três vezes, mas entretanto aquilo morreu completamente, há livros dos anos 60 de gente ligada ao clube que dizia que os jogadores já não sabiam o que eram os 15 minutos à Belenenses…isto nos anos 60, e eu nos anos 90 ainda ouvi alguns apitos, mas era uma coisa praticamente esquecida, e agora voltou a ter algum significado, é engraçado.

Entrevista por Tiago Franco e Diogo Carneiro. Fotos por Pedro Roque (a primeira) e Nuno Bernardo (as restantes).

 

 

 

 

De regresso aos concertos: Soroastra e César Burago na Biblioteca Municipal

Depois de um OUT.FEST longo e intenso, regressamos à programação regular com música novíssima e cósmica do duo Soroastra (de Afonso Simões e do espanhol Borja Caro), numa das primeiras apresentações do seu magnífico disco “Olimpíadas de Pensamentos Acelerados“, e com o sempre único César Burago em solo de pequena percussão, finalmente de regresso ao Barreiro gorada esta apresentação originalmente planeada para a primavera de 2020.
Os concertos acontecem no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, no sábado 13 de novembro, a partir das 21h30. Os bilhetes, aos preços habituais, já podem ser comprados via outra.bol.pt

Segundo momento OUT.FEST 2021: Cartaz completo revelado e bilhetes à venda

Aí está no mundo o programa completo do segundo momento do OUT.FEST 2021, de regresso a vários espaços do Barreiro, entre os dias 4 e 9 de Outubro.

Após um primeiro momento realizado em Junho, neste ano excepcional, com 8 concertos ao longo de três dias, a 17ª edição do OUT.FEST regressa e conclui-se no seu período habitual, em Outubro, com mais 14 oportunidades para testemunhar, em carne e osso, alguma da mais fundamental música destes tempos.

Entre os dias 4 e 9 voltam a ser abertas portas descentralizadas ao longo da cidade do Barreiro, com os espaços de Junho (o Anfiteatro do Parque Paz & Amizade e o Auditório Municipal Augusto Cabrita) a serem acompanhados por localizações já clássicas na história do festival: o Museu Industrial da Baía do Tejo, a Biblioteca Municipal do Barreiro, a SDUB “Os Franceses” e a Igreja de Santa Maria.

Na programação, destaque para a continuidade do programa paralelo REMAIIN, que promove a música experimental europeia com raízes noutras culturas do mundo, no âmbito do qual o OUT.FEST traz, em dose dupla, a música da histórica compositora francesa ÉLIANE RADIGUE (através da difusão/espacialização de uma das suas obras mais icónicas e da interpretação de trabalhos recentes, um dos quais em estreia mundial), mas também promove a estreia nacional da francesa residente em Berlim JESSICA EKOMANE e, para não ser excepção, uma primeira colaboração pública, precedida de uma residência artística, entre o português JOÃO PAIS FILIPE e MANONGO MUJICA, compositor e percussionista peruano ligados às primeiras vanguardas daquele país sul-americano na segunda metade do séc. XX.

Já estão disponíveis os bilhetes, nas suas tipologias habituais e pontos de venda do costume, mas atenção, que há vários eventos gratuitos que requerem inscrição antecipada – leiam atentamente o programa.

SONICA EKRANO – Começa esta quinta-feira o novo festival de cinema na Margem Sul

Começa já nesta quinta-feira o nosso novo festival: SONICA EKRANO – Cinema Documental e as Músicas das Margens, que ao longo de 10 dias trará ao Barreiro e Moita (mais especificamente à Baixa da Banheira) treze excelentes documentários ligados a figuras e movimentos das músicas mais underground e pouco convencionais.

O arranque faz-se com duas estreias absolutas no país: “Acid Mothers Reynols: Live and Beyond”, do argentino Alejandro Maly, na sessão de abertura, mostra-nos o fascinante encontro entre os japoneses Acid Mothers Temple (que tivemos ocasião – inesquecível – de apresentar no OUT.FEST em 2016) e os argentinos Reynols (que contam nas fileiras com Alan Courtis, o extraordinário músico que já por três vezes esteve no Barreiro em trabalho com a Associação Nós); na sexta-feira, “Voice of the Eagle: The enigma of Robbie Basho” traz ao grande ecrã a história do guitarrista, compositor e místico oblíquo norte-americano, uma das grandes figuras, junto com John Fahey, da fingerpicked guitar americana.

Os bilhetes para todas as sessões do festival encontram-se já à venda online e nas lojas aderentes habituais.

Setembro arranca com CAVERNANCIA na Baía do Tejo

O mês de setembro será para nós um mês de estreias: ainda antes do início da primeira edição do SONICA EKRANO – Cinema Documental e as Músicas das Margens (o nosso novo festival de cinema, para o qual os bilhetes já estão disponíveis), iremos descobrir a Rua 13 do Parque Empresarial da Baía do Tejo (mais concretamente, o Armazém 28/30), onde terá lugar no dia 4 (sábado) o concerto de lançamento do álbum de estreia de CAVERNANCIA, “em ciano”, lançado em cassete pela Nariz Entupido.

CAVERNANCIA é o mais recente projecto do fotógrafo Pedro Roque, que já conhecemos tanto pelo trabalho de captura monocromática do que vê com os seus “Eyes of Madness” como pela participação em projectos como Systemik Viølence, Besta e M.O.T.Ü. Nos temas desta cassete, “a noite”, “morre”, e “em ciano”, viajamos em caminhos de uma atmosfera tingida pelo espectro da cor que dá nome a este trabalho, assentes em alicerces noisedrone ou ambient.

O concerto terá início às 21h30, tendo os bilhetes o preço de 5€ (ou 2,5€ para menores de 25 anos). Podem desde já adquirir os ingressos online via outra.bol.pt, ou presencialmente nas lojas Fnac, Worten ou CTT.

SONICA EKRANO – Revelado o programa completo

Olá a todos

Como prometido, revelamos hoje o programa da 1ª edição do festival SONICA EKRANO – Cinema Documental e as Músicas das Margens, a realizar entre 9 e 18 de Setembro no Barreiro e na Baixa da Banheira (concelho da Moita).

Este novo festival, dedicado a músicas, músicos, sons e movimentos nas margens da massificação e da popularidade, é um espaço de oportunidade para assistir a obras cinematográficas às quais – mesmo na era das plataformas digitais – o acesso é limitado, num contributo mais em prol da inclusão audiovisual, atentando à diversidade geográfica e ao equilíbrio entre perspectivas históricas e narrativas contemporâneas.

A primeira edição apresenta treze filmes, entre eles seis estreias nacionais, nomeadamente Acid Mothers Reynols: Live and Beyond, de Alejandro Maly, focado nos japoneses Acid Mothers Temple e nos argentinos Reynols que, em 2017, se juntaram em Buenos Aires para a gravação de um disco conjunto e um concerto; Voice of the Eagle: The Enigma of Robbie Basho, de Liam Barker, sobre a vida incomum e extraordinária do guitarrista e compositor norte-americano Robbie Basho; The Albatross Around My Neck: Retracing Echoes of Loss Between Lucknow and Berlin, de Markus Schlaffkre, que nos apresenta Irfan Khan, um dos mestres do sarod – instrumento de cordas ligado à música hindustani; Crestone, de Marnie Ellen Hertzler, que nos leva até uma vila deserta no Colorado, onde vive uma micro-comunidade de rappers em isolamento, enquanto vão partilhando com o mundo exterior a sua música através da plataforma online Soundcloud; Extreme Nation, de Roy Dipankar, uma viagem pelo subcontinente indiano em busca de histórias da comunidade e sub-cultura do metal extremo, e Delia Derbyshire: The Myths and Legendary Tapes, de Caroline Catz, um misto de documentário e biopic que retrata a personalidade e o legado precioso de uma das pioneiras da música electrónica, a britânica Delia Derbyshire, para sempre ligada à composição do tema genérico da série Doctor Who, em 1963, mas cuja carreira vai muito para além deste feito.

Para além deste filme dedicado a Delia Derbyshire, destaque também para mais dois documentários neste festival que celebram e fazem uma justa homenagem à recente onda de redescoberta das mulheres pioneiras na música electrónica. Um deles é Sisters with Transistors, de Lisa Rovner, sobre o trabalho e genialidade de várias mulheres que estiveram na linha da frente desde os primórdios da música electrónica: Clara Rockmore, Daphne Oram, Bebe Barron, Maryanne Amacher, Pauline Oliveros, Wendy Carlos, Eliane Radigue e Laurie Spiegel. O outro é Suzanne Ciani: A Life in Waves, de Brett Whitcomb, sobre a vida e as inovações marcantes da norte-americana Suzanne Ciani, e a forma como, a partir de uma educação musical clássica, se tornou financeiramente independente criando música e som para o mundo da publicidade, utilizando-o como campo para explorações e descobertas revolucionárias.

A produção nacional está representada pelos filmes SOA, de Raquel Castro, que resulta de uma investigação da realizadora sobre som e paisagens sonoras, sobre silêncio e ruído em todos os espectros sonoros e como e qual a relação com quem os ouve; e Caos e Afinidade, de Pedro Gonçalves, que neste primeiro filme mergulha no mundo da música improvisada em Portugal, tendo como epicentro o Bar Irreal, em Lisboa, e a participação de nomes como Gabriel Ferrandini, Adriana Sá, Carlos Zíngaro ou Luís Lopes. Ambos os realizadores estarão presentes nas sessões.

Concluindo a programação desta primeira edição do SONICA EKRANO, são ainda apresentados Swans – Where Does a Body End?, de Marco Porsia, um extraordinário retrato dos Swans, de Michael Gira, que construíram uma das mais singulares carreiras do rock moderno; Conny Plank: The Potential of Noise, de Reto Caduff e Stephan Plank, sobre um dos pioneiros do krautrock e da pop electrónica, Conny Plank, que influenciou directamente bandas e artistas como os Neu!, Brian Eno, David Bowie, Ultravox ou Eurythmics; e That Pärt Feeling: The Universe of Arvo Pärt, de Paul Hegeman, dedicado ao estónio Arvo Pärt, provavelmente o compositor vivo mais celebrado da nossa era.

As sessões realizam-se no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo (de 9 a 12 de Setembro), na Biblioteca Municipal do Barreiro (de 13 a 16 de Setembro) e no Auditório Municipal Augusto Cabrita (17 e 18 de Setembro), e os bilhetes para as sessões nestes dois últimos espaços estão já à venda, enquanto que os bilhetes para as sessões de dias 9 a 12 estarão brevemente disponíveis.

Para acompanhar as novidades sigam a página oficial do festival ou as redes sociais em facebook.com/sonicaekrano e instagram.com/sonicaekrano.

O SONICA EKRANO é uma realização da OUT.RA – Associação Cultural, com co-financiamento por parte do ICA, em parceria com os Municípios do Barreiro e da Moita e com o apoio dos Transportes Coletivos do Barreiro e do Fórum Barreiro.

 

SONICA EKRANO – Cinema Documental e as Músicas das Margens

Anunciamos hoje para o mundo um novo festival de cinema: o SONICA EKRANO – Cinema Documental e as Músicas das Margens, que acontecerá entre os dias 9 e 18 de Setembro no Barreiro e Baixa da Banheira (concelho da Moita).

O nome SONICA EKRANO, grafado em esperanto (significando, em português, “Tela de Som”), procura reflectir a música e o cinema enquanto “linguagens universais”, homenageando simultaneamente a forte tradição esperantista na margem sul do Tejo.

O novo festival é dedicado a músicas, músicos, sons e movimentos nas margens da massificação e da popularidade, e pretende assegura a existência de um espaço de oportunidade para assistir a obras cinematográficas às quais – mesmo na era das plataformas digitais – o acesso é limitado, num contributo mais em prol da inclusão audiovisual, atentando à diversidade geográfica e ao equilíbrio entre perspectivas históricas e narrativas contemporâneas.

Esta 1º edição apresentará 13 filmes, com quase metade em estreia nacional, sendo o programa completo revelado até meio de Agosto – bastando estar atento ao site www.sonicaekrano.com

O festival é uma realização da OUT.RA – Associação Cultural, com co-financiamento por parte do ICA, e em parceria com Municípios do Barreiro e da Moita.

Até lá, marquem nas vossas agendas as datas!

A OUT.RA procura: Responsável Financeiro (full time)

A OUT.RA, associação cultural fundada em 2009, com sede no Barreiro e trabalho na área da música experimental / exploratória / contemporânea procura:

Responsável Financeiro (full time)

Funções:

Administração e coordenação financeira, reportando directamente à direcção em áreas como:

  • Organização administrativa e financeira;
  • Elaboração e gestão de processos de orçamentação, de controlo de custos e de resultados;
  • Elaboração de relatórios de acompanhamento financeiro e de actividade referentes a financiamentos nacionais e europeus;
  • Preparação e manutenção de dossiers de projecto;
  • Digitalização e contabilização de documentação financeira e articulação com Técnico Oficial de Contas;
  • Participação no processo de angariação de apoios e financiamentos;
  • Acompanhamento administrativo e financeiro de contratos e protocolos.

Perfil:

  • Experiência em funções similares de administração e gestão de projectos e/ou habilitações: académicas (licenciatura/mestrado) em Gestão Cultural ou em Contabilidade, Economia, Gestão e áreas afins;
  • Conhecimentos e experiência de orçamentação e execução orçamental, controlo de custos e contabilidade geral;
  • Domínio de ferramentas de produtividade (editor de texto, folhas de cálculo avançadas, editor de apresentações, dropbox, googledrive, e-mail, etc);
  • Conhecimento das regras de contratação pública;
  • Excelente capacidade de expressão e comunicação, com domínio da língua portuguesa e inglesa, sendo valorizados particulares dotes de comunicação oral, em contexto de reuniões com entidades parceiras e financiadores;
  • Elevado sentido de responsabilidade, organização, capacidade de planeamento, autonomia e de trabalho em equipa;
  • Interesse pelas artes, cultura, património e por questões contemporâneas, demonstrando valores humanos evidentes (cortesia, fiabilidade, persistência);
  • Carta de condução e carro próprio (factor preferencial);
  • Residência no Barreiro ou Concelhos limítrofes, incluindo a Grande Lisboa;
  • Disponibilidade para participar em eventual entrevista na segunda ou terceira semana de Setembro e para iniciar funções em Outubro.

Oferece-se:

  • Contrato a termo (12 meses, renováveis por mais 12 meses) com forte possibilidade de passagem à efectividade em função da capacidade de trabalho, conhecimentos demonstrados e integração na equipa;
  • Envolvimento num projecto aliciante, com contacto directo com a comunidade artística local, nacional e internacional;
  • Possibilidade de implementar e melhorar processos de trabalho, contribuindo para o crescimento e consolidação da associação;
  • Remuneração de acordo com a tabela salarial praticada na associação (salário e respectivos subsídios de férias, natal e de alimentação).

Data-limite da candidatura: 4 de Setembro de 2021

As candidaturas devem incluir, carta de motivação / expectativas, CV detalhado e uma fotografia, e devem ser enviadas para o e-mail info[@]outra.pt com o assunto “Recrutamento”. Eventuais cartas de recomendação evidenciando experiência passada são aceites e valorizadas.

Em Julho na Biblioteca Municipal: Manuel Mota & David Grubbs e The Selva

Anunciamos hoje dois concertos para o mês de Julho – a programação regular OUT.RA a continuar a travessia dos difíceis dias que vamos vivendo, em segurança e fornecendo o cada vez mais necessário alimento para o espírito.

Na próxima sexta-feira, dia 16, ocasião magna em que recebemos dois mestres absolutos das seis cordas, e duas influências e inspirações enormes no nosso percurso de ouvintes: nada mais nada menos que o duo de Manuel Mota & David Grubbs (ele mesmo!), que trazem na bagagem um lindíssimo e infelizmente negligenciado disco de 2018, ‘Lacrau’, editado pela Drag City. Espera-se uma colaboração de sensibilidade e poesia tocantes.

Na terça-feira, dia 27, a esperada estreia barreirense do trio The Selva, composto por músicos nacionais de primeira água, navegando por entre o jazz, a improvisação livre e uma certa música de câmara: Ricardo Jacinto (violoncelo), Nuno Morão (percussão) e Gonçalo Almeida (contrabaixo) são os protagonistas.

Ambos os concertos acontecem no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, com início às 21h00, e bilhetes a 5€ (ou 2,5€ para menores de 25 anos).

Podem desde já adquirir os ingressos online via outra.bol.pt, ou presencialmente nas lojas Fnac, Worten ou CTT.

Sábado na Biblioteca Municipal: DDK Trio

De volta à programação regular de concertos após três belos dias de OUT.FEST, com a realização de um dos espectáculos adiados em 2020: o trio do trompetista alemão Axel Dörner e dos suíços Jacques Demierre (piano) e Jonas Kocher (acordeão), que apresentam a sua improvisação livre, poética e atenta no Auditório da Biblioteca Municipal este sábado, dia 12, pelas 21h15.
Os bilhetes podem ser adquiridos no local a partir das 20h45, ao preço de 5€ (geral) ou 2,5€ (sub-25).